O novo papel do CFO na economia da recorrência

Muita coisa mudou no mundo nos últimos 20 anos. Em gestão e negócios, não foi diferente.

Se no começo dos anos 1990 a internet ainda engatinhava para alguns milhares de usuários, hoje já temos a banda larga em quase todo o território central do país. Se antigamente todos lutavam para ter uma linha de telefone fixo em casa, hoje temos praticamente 2 celulares por cada habitante no mundo! E quanto às redes sociais, bem, elas nem mesmo existiam naquele tempo. Era de se esperar, portanto, que mais cedo ou mais tarde as novas gerações, nascidas em meio à tanta tecnologia, encarassem de maneira diferente a postura das empresas — algo que claramente viria a interferir no trabalho dos executivos de grandes empresa, mas até no papel do CFO?

E é aí que entra em campo a geração Z, composta por jovens nascidos a partir de 1995, e a economia da recorrência, uma dupla de personagens desse atual cenário que vem mudando por completo o papel do Chief Financial Officer (CFO) nos negócios. Mas quais são essas mudanças? O que é esperado hoje em dia dos CFOs e como eles têm ajudado ainda mais as marcas a se manterem vivas no mercado? É exatamente o que iremos abordar neste texto.

O valor da tomada de riscos na economia da recorrência

Para entender o novo papel do CFO dentro das empresas, primeiro devemos entender como a geração Z, juntamente com os Millennials (também conhecida como geração Y e composta por pessoas nascidas entre 1980 e 1995), tem afetado diretamente o mercado e a maneira como as marcas devem interagir com seus consumidores.

Diferentemente do que acontecia nas gerações anteriores, as Z e Y não se preocupam tanto em ter alguns bens de consumo — como carros, imóveis e até mesmo relações comerciais de longa data —, fato que as levam a evitar contratos de longa duração e a dar preferência por aquilo que podem pagar apenas quando usarem. Não por acaso, marcas como Netflix e Spotify — sempre citadas, quando falamos nesse assunto — e serviços como o Airbnb — de locação temporária — são hoje, algumas das preferidas dessas pessoas. Mas, claro, isso tudo faz parte de apenas um pedaço de toda a mudança do mercado. 

Nesse pacote ainda existe o fato de que a geração Z é do tipo que se preocupa mais com as causas sociais — como as que envolvem os direitos das minorias e até o meio ambiente — e espera que as marcas também se preocupem com elas. Um envolvimento que muitas das vezes apresenta algum tipo de risco para as empresas, mas que também costuma entregar bons resultados.

Mas onde entra o trabalho do CFO no meio disso?

O novo CFO

Primeiro de tudo, nas empresas de maior performance de crescimento, o CFO precisa ter uma mentalidade empreendedora.

novo cfo

Vale lembrar ainda que, como o modelo da economia de recorrência não é centrada na venda de um produto e sim na retenção do cliente — é bom lembrar que, ao contrário do que acontecia antes, agora o seu comprador não paga pelo produto e o leva embora, ele fica com ele enquanto for útil —, os diretores financeiros devem acompanhar de perto a evolução de um negócio e saber como entregar novidades antes que a concorrência o faça. 

Métricas como Churn, MRR, LTV, CAC entre outros, devem estar na ponta da língua e nos estudos de todo CFO contemporâneo.

São esses profissionais que mostram como uma empresa pode entregar a inovação que o público (e o mercado) deseja, sem perder de vista as suas próprias obrigações contratuais. Algo que, como todos sabemos, também é muito importante para atrair os olhares de investidores para qualquer tipo negócio.

Investidores de olho na inovação

De olho em modelos de negócio e projetos inovadores, a primeira coisa que os investidores costumam analisar em uma empresa antes de colocar seu dinheiro por ali, é a sua saúde financeira.

Quanto é gasto em inovação por uma marca e quanto que ela tem de retorno com aquilo? Será que ela está realmente apostando no melhor segmento do mercado? A sua performance tem sido realmente interessante ou poderia ser melhor? Existe algum setor que pode estar sugando recursos que poderiam ser aplicados em inovação?

Tudo isso é analisado na hora em que um empreendedor (ou um grupo) resolve investir em uma determinada empresa. E são pontos que podem ser devidamente impactados pelo trabalho de um CFO.

Fundos de private equity já demonstram grandes atenções para executivos financeiros com viés de tecnologia.

Maior competitividade no mercado

Ao criar uma empresa atenta às expectativas dos novos consumidores e capaz de realizar mudanças e entregar inovações, o CFO pode não apenas atrair o interesse de investidores para um negócio como também melhorar a competitividade no mercado.

De acordo com um relatório da Ernst & Young, o papel do diretor financeiro, como dissemos antes, vai além daquele centrado apenas nos números de uma empresa. Agora, ele também diz respeito à performance e desempenho operacional de uma marca. E tudo isso reflete na forma como ela lida com a concorrência e atrai novos clientes.

Acredito muito nos pilares abaixo para um CFO diferenciado:

  • Garantir a melhor gestão de recursos (incluindo o acesso ao melhor capital);
  • Controlar riscos, inclusive de negócio (e não somente financeiro);
  • Reporting claro dos números e métricas para investidores, colaboradores e mercado;
  • Participação de decisões que afetam todo o grupo.

O novo CFO não é mais aquele profissional que lida apenas com as finanças de uma empresa: ele é o responsável por melhorar toda a performance de um negócio no mercado. Afinal, quem melhor para otimizar os seus números do que alguém que vive cercado deles?

vindi

Fundador e CEO da Vindi, plataforma líder em recorrência e criador do maior evento de empresas SaaS e Assinaturas do país, o “Assinaturas Day”.

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