Janeiro é um mês de balanços do ano que se foi. No Vindi Insights de hoje, mais do que ressaltar as dificuldades vivenciadas, acreditamos que nos referir a 2020 é falar de um cenário de transformação.

Todos sabemos que não foi fácil. Entretanto, sabemos também quanto aprendemos lições valiosas sobre a vida.

E no lado dos “negócios”, também não poderia ser diferente.

Negócios fecharam, outros tiveram a chance de se reinventar. Não foi necessariamente um cenário justo, ou ideal – pelo contrário, foi um caldeirão de tentativas, adaptações baseadas na urgência, erros e acertos. E o resultado, nem tão previsível, levou a novos caminhos que despontam em um 2021 mais hiperconectado, tecnológico e ligado à noção de novas formas de existir enquanto pessoas e empresas.

No universo de fintechs e pagamentos, por exemplo, importantes marcos ocorreram em 2020. Vamos dar um giro nos principais acontecimentos?

O que 2020 mudou no mercado de pagamentos?

Acompanhe algumas notícias e estudos que selecionamos sobre temas importantes para você entender algumas transformações no jeito de lidar com marcas e pagamentos.

  • Lealdade às marcas em xeque

Em 2020 o consumidor ao redor do globo respondeu à crise mudando seu perfil de consumo, e a lealdade às marcas sofreu pesadamente, dizem as conclusões de pesquisa de outubro feita pela McKinsey.

  • Digitalização de Pagamentos pelo mundo

Ao longo de 2020 a disrupção gerada pela Covid-19 acelerou o movimento de digitalização dos pagamentos pelo mundo:

  • Na Suécia, onde menos de 10% de todos os pagamentos são feitos em moeda física, o Governo estuda mover completamente para uma moeda digital. Em estudo recente, 70% dos bancos centrais estão considerando emitir suas próprias moedas digitais.
  • Em 2020, 2 terços das 37 bilhões de transações financeiras em smartphones ocorreram na África Sub Saariana.
  • A Square, um dos maiores processadores de pagamento do mundo, reporta em estudo recente, que em março de 2020, somente 8% dos seus merchants eram “cashless” (pagamentos feitos sem o uso de cédulas ou cartões tradicionais), e esse número decolou para 31% em abril, quando a pandemia explodiu. Os segmentos mais afetados foram educação, entretenimento e estética.
  • A revolução do Pix

No Brasil, um importante passo na direção dos pagamentos digitais, ou cashless, foi dado com a implantação do Pix, meio de pagamento eletrônico lançado em novembro de 2020 pelo Banco Central. Em poucos meses, o meio de pagamento se tornou mais usado que as transferências tradicionais, como DOC e TED, e já movimentou mais de 203 bilhões de reais desde seu lançamento.

  • Fintechs crescem 34% em 2020

O ano de 2020 foi decisivo para o mercado das fintechs. Apenas nos nove primeiros meses deste ano, o setor cresceu 34% no Brasil e atraiu US$ 939 milhões em aportes. Já nos últimos cinco anos, foram investidos US$ 2,4 bilhões neste mercado, segundo dados da Distrito, hub de inovação para startups.

  • Tendências para 2021

As tendências de precificação para 2021, de acordo com a OpenView,  envolvem: foco em PLG, adaptabilidade de preços de acordo com o consumidor e a robustez do modelo de assinaturas.

Além disso, haverá o processo de implementação do Open Banking e do Sandbox, iniciativa regulatória do BC para que instituições consigam testar projetos e soluções inovadoras.

TPV Vindi 2020 (Total Payment Volume)

De janeiro a dezembro de 2020 nosso TPV acumulado foi 39% maior com relação ao ano de 2019.

Não foi um caminho linear. Houve períodos de queda no TPV, como no mês abril (logo após o início da pandemia), que teve o pior resultado entre os demais meses (-9,3% em TPV). Após a recuperação de +13,5% em maio, estivemos numa crescente de TPV até agosto, enfrentando uma pequena redução em setembro (-1,6%) e plena recuperação até o final do ano, com ótima alta de TPV em novembro (+29,8%, a maior do ano).

Mas, no geral, mesmo em meio à crise, o TPV de nossos clientes se manteve estável ou crescente em 2020, chegando a um resultado acumulado melhor que do ano anterior.

TPV total de Dezembro

No mês de dezembro, nosso TPV total teve uma leve estagnação de -0,2%, que pode ser explicada pela típica desaceleração dos negócios em épocas de recesso, feriados e festividades de final de ano.

TPV por segmento

Para realizar o Vindi Insights, usamos dados da base dos 11 maiores segmentos da empresa. Além disso, para calcular o TPV, usamos o volume processado em vendas recorrentes ou pontuais, seja por cartão de crédito, débito ou boleto bancário. 

Já quando olhamos cada segmento de nossos clientes individualmente, tivemos os seguintes resultados de TPV na comparação entre dezembro e novembro (coluna m/m), e depois comparado a janeiro (coluna Dez/ Jan):

Nossos destaques vão para os 3 setores com maior crescimento de TPV no ano: 

  1. Estética e Beleza (+129%);
  2. Associações e Doações (+71%);
  3. SaaS – Software as a Service (+70%).

Adiante, analisaremos o desempenho destes e outros setores, contextualizando fatores que podem ajudar a entender a performance de cada um no mês de dezembro.

Melhores performances em dezembro

1. Estética e Beleza (+129%)

Se comparada a novembro, a performance do segmento de Estética e Beleza declinou em -0,1%, o que, na verdade, é considerado uma estagnação. Entretanto, se comparada a janeiro do mesmo ano, a performance de dezembro foi 129% superior.

No início do ano, Estética e Beleza representava 1,6% do TPV total da Vindi, entretanto, esse share subiu ao longo do ano, chegando a 2,5% em dezembro.

Durante todo o ano, observamos o setor numa crescente: não houve um só mês de declínio de TPV para Estética em 2020. Houve apenas a estagnação entre outubro, novembro e dezembro, mas, considerando-se o cenário global, não ter prejuízo foi considerado um bom sinal para o segmento.

Fato é que nossos clientes donos de negócios na área de Estética e Beleza descobriram o poder da recorrência em 2020. Serviços antes parcelados no cartão de crédito passaram a entrar no sistema de pagamento recorrente, trazendo vantagens para os negócios e seus clientes. Houve uma fidelização maior no setor, além de alternativas a métodos de pagamento que comprometem o limite do cartão de crédito e, antes, podiam ser um impeditivo de vendas.

Além disso, alguns representantes desse setor são os boxes de beleza por assinatura, que não foram afetados diretamente em suas atividades pela pandemia, por serem produtos entregues na casa dos consumidores.

Confira: Panorama do mercado de estética no Brasil e no mundo

2. Associações e Doações (+71%)

O setor de Associações e Doações – que contempla em nossa carteira de clientes as ONGs, igrejas, associações e fundações – teve diversas oscilações de TPV ao longo de 2020.

No balanço entre dezembro comparado diretamente com janeiro, a representatividade do setor no TPV total da Vindi aumentou cerca de 0,3%.

Mas em questão de volume, o seu TPV cresceu 71% (dez/jan), fechando o ano positivamente.

A automação de doações financeiras foi o grande salto do setor para não deixar de receber as contribuições de seus fiéis. Dessa forma, gerou-se menor probabilidade de que os membros esquecessem ou cancelassem seus pagamentos, ou mesmo pudessem realizar a transação à distância, por meio de links de pagamento ou boletos online.

3. SaaS – Software as a Service (+70%)

Olhando o ano do segmento SaaS, no primeiro semestre de 2020, ele já atingiu 152% de crescimento. Um importante aumento aconteceu em junho, quando o seu TPV subiu +45% em relação a maio. Essa nova faixa de TPV mais elevada se tornou frequente nos meses seguintes, com poucas variações para mais ou para menos.

Dessa forma, em dezembro, se comparado a janeiro, o crescimento de TPV foi de +70%.

Para que você entenda por que os negócios SaaS são tão promissores e resilientes, preparamos um e-book especial com diversos dados sobre esse mercado. Já conferiu? Acesse gratuitamente clicando no banner:

E os setores que não performaram tanto em 2020?

Olhando a performance do ano como um todo, sabemos que alguns setores da economia foram mais afetados do que outros.

Veja quais fecharam o ano com TPV menor que no início pré-pandemia:

  1. Turismo e Hotelaria (-60%);
  2. Fitness (-32%).

Por serem negócios que, em sua maioria, dependem de atividades presenciais, era altamente previsível que haveria impacto negativo em seu faturamento.

1. Turismo e Hotelaria (-60%)

Negócios relacionados a Turismo e Hotelaria sofreram um grande impacto no início da pandemia, em março e abril, com quedas bruscas (%). O fôlego começou a voltar em setembro (% em TPV), quando houve a retomada gradual de viagens e atividades no Brasil.

O crescimento continuou ligeiramente nos meses seguintes, mas não voltou ao que era antes do início da pandemia, o que é representado por essa variação de -60% de TPV de dezembro em relação a janeiro.

2. Fitness (-32%)

Da mesma forma, o setor Fitness – em sua maioria, academias de ginástica -foi amplamente desgastado na pandemia.

Em abril, houve uma brusca queda de TPV em relação ao mês anterior, e o setor continuou decrescendo até julho, quando atingiu o menor TPV do ano. Entretanto, algumas empresas do setor, como aplicativos de exercícios em casa, continuaram vendendo e crescendo em seus negócios. Isso pode explicar por que ainda em agosto houve um retorno ao crescimento. E então o setor conseguiu ir aumentando seu TPV pouco a pouco, até novembro.

Em dezembro, voltou a ter uma queda de -5%, mas fechou num patamar quase igualado ao mês de abril, apesar de longos meses em queda ao longo do ano.


Bom, esses foram os nossos destaques do Vindi Insights de hoje! Vale ressaltar que nossas análises de TPV refletem uma parcela de empresas que transacionam com a nossa plataforma, e não o mercado geral. Por isso, as tendências e desempenhos aqui observados não têm a intenção de representar os segmentos totais, mas sim lançar um olhar sobre como a recorrência é um motor de vendas que tem dado resultados positivos para nossos clientes.

Continue por dentro dos nossos conteúdos assinando a nossa newsletter! Clique e se inscreva: