Se você se deparou com o termo tarifa transacional, tome cuidado, pois você pode estar diante de um golpe.

Alguns criminosos virtuais têm espalhado páginas falsas, pedindo que as pessoas paguem uma taxa para receber um alto valor — o que é mentira.

Porém, existem também vários tipos de tarifas transacionais que fazem parte do dia a dia, especialmente de quem trabalha com vendas.

Neste artigo, vamos explicar o que é tarifa transacional e como funciona a versão usada em crimes virtuais.

Você também vai conhecer o sentido real dessa expressão e as principais taxas cobradas que incidem legalmente sobre diferentes formas de pagamento.

Compreender tarifas transacionais ajuda a reduzir custos e otimizar a gestão financeira de empresas.

O que é tarifa transacional?

Tarifa transacional é uma taxa cobrada por instituições financeiras ou de pagamento a cada transferência de valores realizada por seu sistema.

O valor é automaticamente descontado durante o processamento.

Diversos meios de pagamento e tipos de transferência eletrônica têm tarifas transacionais.

Os principais são:

Em geral, comerciantes usam sistemas de cobrança para diversificar suas formas de pagamento e arcam com as tarifas transacionais.

Em alguns casos, eles incluem essas taxas no preço final do produto, repassando os custos ao consumidor.

Porém, o termo “tarifa transacional” acabou ficando mais conhecido devido a um tipo de fraude que vem acontecendo no Brasil. 

Como funciona o golpe da tarifa transacional?

No golpe da tarifa transacional, um site fraudulento criado por criminosos leva os usuários a pensarem que têm um valor a receber, mas que precisam pagar uma taxa primeiro.

Esses sites são encontrados por meio de publicidade paga em plataformas como o Facebook.

As páginas mostram imagens antigas de programas de televisão e o logotipo da Caixa Econômica Federal, além de fotos relacionadas ao banco.

O texto da postagem começa com uma informação verídica: em dezembro de 2023, o governo federal informou que cerca de R$ 7,5 bilhões poderiam ser resgatados por pessoas físicas no Sistema de Valores a Receber.

De fato, é possível consultar se você tem valores a receber no site do programa.

Porém, a página informa um link falso para que a pessoa digite seu CPF.

Então, um chatbot pergunta o mês e o ano de nascimento do usuário.

A partir das confirmações, aparecem vários dados da pessoa, como o nome completo, a data de nascimento e o nome da mãe.

Dessa forma, os criminosos obtêm credibilidade, levando suas vítimas a acreditarem que aquele é de fato o site do governo federal.

Então, a página afirma que o usuário tem uma quantia alta a receber, mas que ela precisa pagar uma tarifa transacional primeiro, em um valor mais modesto.

Porém, quando as pessoas seguem as instruções e enviam o pagamento, nada acontece.

Como evitar o golpe da tarifa transacional?

Algumas medidas de segurança podem ser tomadas para evitar cair em um golpe como esse.

Antes de mais nada, desconfie ao ver um anúncio do governo federal em publicidade paga nas redes sociais.

Principalmente se essas postagens estiverem no Facebook, que concentra a maior parte desse tipo de golpe, segundo reportagem do portal UOL.

Embora isso seja possível, jamais entre no link postado.

Em vez disso, prefira sempre acessar por conta própria a plataforma Gov.br.

Antes de entrar em uma página, consulte sempre a URL, ou seja, o endereço eletrônico que aparece no seu navegador.

Em qualquer página de serviço relacionada ao governo federal, o link precisa terminar com “gov.br”.

É importante destacar que qualquer promessa de prêmios ou dinheiro fácil precisa ser vista com desconfiança, pois é dessa forma que muitos criminosos atraem suas vítimas.

Principais tarifas transacionais do mercado

Voltando a falar agora sobre a tarifa transacional legal, que não é um golpe, há diversos métodos de transferência eletrônica com essa taxa.

Ela representa a remuneração pela operação.

Por isso, os valores variam conforme a instituição de pagamento que processa a cobrança.

Além disso, cada forma de pagamento tem seus custos envolvidos.

Conheça agora como as taxas são cobradas nas principais modalidades.

Compras no cartão de débito ou crédito

As tarifas transacionais cobradas pelos lojistas sobre valores de venda com cartões de débito e crédito variam bastante de acordo com a empresa responsável por processar os pagamentos.

Pode ser o fornecedor da maquininha de cartão ou a plataforma usada para vendas online.

Esses percentuais são definidos por três fatores:

  • Taxa do adquirente: é o valor cobrado pela empresa responsável pela liquidação dos pagamentos, interligando os sistemas das instituições envolvidas
  • Taxa da bandeira: cobrada pelas empresas responsáveis por determinar as regras e padrões do funcionamento dos cartões
  • Tarifa de Intercâmbio (TIC): é cobrada pela instituição financeira emissora do cartão, que é de 0,5% para débito e 0,7% para crédito, conforme determina a Resolução BCB nº 246.

Portanto, o valor descontado do lojista por operação leva em conta essas três variáveis.

Em outro artigo aqui no blog, divulgamos uma média dos valores praticados em compras à vista por oito dos principais modelos de maquininhas de cartão do mercado: 1,91% do valor da venda para transações no cartão de débito e 4,11% para o cartão de crédito.

No parcelamento pelo cartão de crédito, os juros variam bastante conforme os critérios estabelecidos por cada operadora.

Existem duas maneiras diferentes de estabelecer as tarifas:

  • Aumentando o percentual conforme o número de parcelas
  • Estipulando uma taxa fixa para compras parceladas além de um percentual a ser cobrado por cada parcela.

Em uma média que realizamos com as taxas praticadas por oito empresas de cobrança, os valores ficaram em torno de 5,92% para compras em duas vezes e 15,55% em 12 parcelas.

TED e Pix

A transferência bancária por TED (Transferência Eletrônica Disponível) também pode ser taxada, embora alguns bancos ofereçam o serviço gratuitamente.

Quando a tarifa transacional é cobrada sobre esse tipo de transferência, os valores podem variar de acordo com a instituição financeira, ficando entre R$ 10,15 e R$ 24,15.

Embora seja gratuito para pessoas físicas, o Pix é cobrado de pessoas jurídicas em algumas situações.

Nesses casos, as taxas podem variar entre 0,5% a 1,45% do valor da transação.

Algumas instituições estabelecem valores mínimos e máximos para essa cobrança, que giram em torno de R$ 1 e R$ 10.

Boletos e saques

Os boletos bancários podem ser gerados por instituições financeiras ou de pagamento, e suas taxas também podem variar.

Geralmente, cada boleto emitido custa em média de R$ 3 e R$ 10.

Já se uma pessoa precisa sacar em terminais de autoatendimento, ela pode precisar pagar uma tarifa transacional de R$ 3 a R$ 13.

Porém, muitas instituições oferecem pacotes com um número de saques gratuitos.

Como são cobradas as tarifas transacionais?

As tarifas transacionais são cobradas no momento em que a operação financeira acontece, seja ela uma transferência ou um saque, junto com o valor debitado.

Antes disso, não há possibilidade de pagamento da taxa de forma separada — e muito menos, antecipada.

Quando o cliente faz uma compra com cartão, por exemplo, ocorre uma série de operações durante os poucos segundos até aparecer a mensagem de aprovação na tela da maquininha ou no e-commerce.

Uma delas é o próprio desconto da tarifa transacional, que é dividida e repassada para a bandeira, a empresa de pagamento e as instituições envolvidas.

Se a venda é feita por Pix ou boleto, o mesmo acontece.

Já se o titular de uma conta bancária quiser fazer um TED, o valor da tarifa transacional já é debitado de sua conta bancária junto com a quantia transferida.

Em um saque, a operação é parecida: a taxa é acrescentada ao débito referente ao valor retirado em espécie.

Como essas operações são automáticas, não existe um ato de pagamento de uma tarifa transacional.

Em cada tipo de transação eletrônica, há um procedimento já determinado para que a taxa seja debitada.

No próximo tópico, entenda como esses processos acontecem em empresas de diferentes formatos.

Tarifas transacionais em diferentes modelos de negócio

As tarifas transacionais estão presentes em diversos formatos de negócios que aceitam transferências eletrônicas.

E como os consumidores estão cada vez mais exigentes em relação à diversificação de formas de pagamento, é muito difícil escapar do pagamento dessas taxas.

Estabelecimentos que vendem produtos de forma avulsa, seja presencial ou online, podem levar em conta esses valores na precificação.

E se a venda é feita por marketplace, o empreendedor paga uma única tarifa para englobar os serviços de cobrança e também a hospedagem do seu anúncio na plataforma.

Por isso, esse percentual costuma ser superior às demais tarifas transacionais, já que além dos custos com o uso dos serviços de pagamento, ele inclui a remuneração pelo uso do espaço.

Negócios que adotam o modelo da recorrência — ou seja, cobram de forma periódica pela assinatura de um serviço — não necessariamente precisam pagar uma tarifa transacional por cada venda.

Isso porque muitas plataformas cobram um valor fechado pela parceria.

Essa é uma maneira de facilitar o acompanhamento do fluxo de caixa, pois os gestores já sabem quanto a empresa vai gastar com os pagamentos a cada mês.

Quem paga a tarifa transacional?

A tarifa transacional é descontada automaticamente do valor pago por uma compra.

Portanto, na prática, é o vendedor que arca com o percentual.

Por isso, muitos comerciantes calculam esses valores na hora de definir o preço de um produto.

Assim, podemos dizer que o consumidor pode acabar pagando custos ou uma parte deles de forma indireta.

De acordo com a Lei nº 13.455/2017, o preço de um produto pode ser diferente de acordo com a forma de pagamento que o consumidor escolher.

Assim, o comerciante pode determinar preços que variam conforme a tarifa transacional a ser paga de acordo com a forma de pagamento.

É claro que, do ponto de vista comercial, simplesmente estabelecer preços diferentes conforme o método escolhido pelo cliente não é uma prática recomendada, por gerar desconforto no consumidor.

Por outro lado, a melhor alternativa é realizar promoções para incentivar o uso de formas de pagamento com taxas mais baratas, como Pìx e dinheiro em espécie.

Já as empresas que fazem cobranças recorrentes não precisam fazer esse tipo de diferenciação.

Afinal, como já mencionamos, o valor pago à plataforma de pagamentos costuma ser fechado.

Análise comparativa: tarifas transacionais no Brasil vs. outros países

As tarifas transacionais do Brasil podem variar em relação a outros países de acordo com as diferenças nas regulamentações e nas estruturas de mercado.

Vamos mostrar neste tópico alguns pontos que podem ser comparados nesses dois aspectos.

De acordo com publicação da empresa norte-americana CNBC, a tarifa para o saque em um terminal de autoatendimento diferente da rede bancária é de US$ 2,50.

No Brasil, elas giram em torno de R$ 3 a R$ 13.

Além disso, cada titular de uma conta bancária tem um número limite de transferências para fazer a cada mês.

Se ele passar desse limite, pode arcar com uma taxa de US$ 3 a US$ 25.

No Brasil, as transferências por TED só são taxadas por alguns bancos, enquanto o Pix é gratuito para pessoas físicas e os valores não costumam passar de R$ 10 para pessoas jurídicas.

Em relação à tarifa transacional sobre o uso do cartão de crédito, o site Statista publicou (em inglês) as taxas médias cobradas nos Estados Unidos pelas quatro principais bandeiras do país:

  • Visa: 1,15% do valor + US$ 0,25 a 3,15% + US$ 0,10
  • Mastercard: 1,15% + US$ 0,05 a 3,15% + US$ 0,10
  • Discover: 1,1% + US$ 0,10 a 3,15% + US$ 0,10
  • American Express: 0,05% + US$ 0,22 a 2.4% + US$ 0,10.

Podemos comparar esses dados aos juros cobrados das maquininhas para compras à vista no cartão de crédito, que giram entre 3,19% a 4,99%.

Além disso, as taxas sobre vendas a prazo tendem a ser ainda mais onerosas, como já mostramos em um dos tópicos acima.

Incentivar o uso de métodos com taxas menores, como Pix, melhora a lucratividade no comércio eletrônico.

Como reduzir as tarifas transacionais?

Reduzir as tarifas transacionais do seu negócio é uma importante iniciativa de controle de gastos.

Somados, os valores economizados podem fazer a diferença no final do mês.

Por isso, vamos mostrar agora algumas medidas que podem ser tomadas nesse sentido.

1. Conheça as taxas que você paga

Elabore um levantamento de todas as taxas cobradas pelo uso do cartão ou de outras modalidades de pagamento.

Assim, você terá uma visão clara de quanto você terá descontado em cada cobrança.

2. Faça conciliação de vendas no cartão

A conciliação de vendas ajuda a informar os valores corretos e apontar eventuais divergências.

Portanto, pode ajudar a aumentar seu faturamento no final do mês.

Essa tarefa parece trabalhosa, mas pode ser integrada aos seus serviços de cobrança.

3. Incentive o uso do Pix

Ainda que seja cobrado para empresas, o Pix tem tarifas transacionais mais vantajosas em relação a outras formas de pagamento.

Por isso, cobrar preços especiais para quem usa o método instantâneo em suas compras é uma forma de pagar menos taxas.

4. Negocie com as adquirentes

Toda empresa pode negociar as taxas diretamente com as companhias responsáveis pelo processamento de uma transação por cartão de crédito.

Se você faz bastante vendas no crédito, negocie uma taxa escalonada que aumente as tarifas conforme o número de parcelas, mas de uma forma mais vantajosa.

5. Avalie alternativas de bancos e maquininhas

Durante a negociação com uma empresa de pagamentos, evite ficar preso somente àquela opção.

Afinal, há muitas boas adquirentes no mercado.

Caso não consiga uma taxa em conta, procure por outras alternativas e compare para verificar qual é a mais vantajosa para o seu negócio.

6. Monitore constantemente o volume transacional

Toda empresa busca crescer e escalar suas operações.

E quanto maior é o volume transacional — ou seja, o montante de vendas que sua empresa faz a cada mês — mais alta é a carta na sua manga para negociar tarifas mais em conta.

Por isso, acompanhe sempre esse número e vá negociando vantagens à medida em que sua empresa for crescendo.

7. Use uma plataforma multiadquirente

Um sistema multiadquirente é capaz de se conectar com diferentes adquirentes para processar as transações por cartões de crédito.

A Vindi conta com um gateway de pagamento multiadquirente que pode ser programado para escolher as opções com as melhores taxas transacionais para o seu negócio.

Temos soluções sob medida para diversos modelos de negócios.

Descubra o poder do Hub de Pagamentos da Vindi!

Transforme sua gestão financeira em vantagem competitiva com soluções que garantem a segurança das suas transações recorrentes, avulsas e no e-commerce, com alta estabilidade para vender sem interrupções, flexibilidade para precificar planos e assinaturas, multiadquirência e mais. Tudo isso com alta taxa de aprovação e as soluções certas para impulsionar o sucesso do seu negócio.

Fale com o nosso time e comece agora!

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você esteja de acordo com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar.
Aceitar consulte Mais informação Aceitar Leia mais

Política de privacidade e cookies