O real digital já está sendo chamado de “dinheiro do futuro” e pode revolucionar seu negócio.

A novidade foi anunciada pelo Banco Central do Brasil (BCB) em maio de 2021, e a expectativa é que nossa moeda tenha sua versão 100% digital nos próximos anos – talvez até em 2022.

Países como Bahamas, China, Estados Unidos, Coréia do Sul e Suécia já estão com seus projetos de moeda virtual em andamento. 

Mas, afinal, é uma criptomoeda? Vai substituir o dinheiro físico? Vai ser usada nas compras do dia a dia?

Se você também tem essas dúvidas, este é o artigo certo para ficar por dentro do assunto.

Leia com atenção e descubra como o real digital vai impactar seu negócio.

O que é o Real Digital?

O real digital, ou e-real, é a versão 100% virtual da moeda brasileira, que deve ser lançada pelo Banco Central do Brasil nos próximos anos. 

O BCB anunciou as diretrizes gerais para esse projeto em maio de 2021, como parte das iniciativas da chamada “Agenda BC#”, que busca modernizar o sistema financeiro do país. 

Desde então, o assunto tem causado grande repercussão na mídia, pois não ficou muito claro o que seria esse tal de real digital.

Na prática, ele é exatamente como as notas e moedas que você tem na sua carteira, com a diferença de existir apenas no ambiente virtual.

Ou seja: são moedas emitidas pelo Banco Central exclusivamente no formato digital, que podem ser usadas em transações pela internet. 

“Mas e o saldo da minha conta corrente, já não é um tipo de real digital?”

Na verdade, não. 

O dinheiro que você tem no banco foi emitido originalmente pelo BCB no formato de cédulas e moedas físicas, pois essa é a única forma de emitir dinheiro no país atualmente.

Logo, por mais que o seu saldo esteja na tela do celular, ele corresponde a uma quantia de dinheiro físico, que existe de fato e pode ser sacado a qualquer momento ali no caixa eletrônico. 

Já o real digital não pode ser sacado (apenas se for convertido em real físico antes), pois ele é totalmente digital e não é palpável como o dinheiro comum. 

Portanto, o e-real representa uma nova forma de emitir dinheiro no país e uma nova maneira de ter dinheiro e fazer transações com ele. 

Ele também será custodiado por instituições financeiras, ou seja, terá seu saldo dentro do sistema bancário, mas de forma 100% digital. 

E claro que você poderá fazer pagamentos, transferências e Pix livremente com a moeda digital brasileira.

Também é importante destacar que o real digital não é uma criptomoeda – como o Bitcoin, o Ethereum e outras – e não vai substituir o real físico definitivamente, como veremos ao longo do texto. 

O que é uma moeda digital?

Para deixar o conceito de real digital mais claro, vamos entender o que é uma moeda digital: qualquer moeda, dinheiro ou ativo que só existe no meio digital e pode ser transacionada pela internet.

Ela também é chamada de moeda eletrônica e é basicamente dinheiro não tangível, ou seja, que você não pode tocar. 

Já o real digital é um tipo específico de moeda digital chamada CBDC (Central Bank Digital Currencies), ou “moeda digital do banco central” em português.

Como o nome já mostra, essa moeda é emitida exclusivamente pelos bancos centrais dos países e, geralmente, tem lastro na moeda oficial da nação.

No caso, “ter lastro” significa que a moeda digital está vinculada ao atestado de valor da moeda fiduciária, como acontece na relação entre o real digital e o real físico (vamos explicar isso melhor adiante).

Frequentemente, a CBDC tem o valor equiparado ao da moeda física do país – o que parece ser a proposta para o e-real, pelo menos nesse primeiro momento. 

Outros tipos de moedas digitais são aquelas usadas como pontuação em programas de fidelidade e também as famosas criptomoedas, que vamos entender melhor a seguir.
Bitcoin

Qual a diferença entre o Real Digital e as criptomoedas?

Este é um tópico muito importante, porque muitas pessoas estão achando que o Brasil vai criar sua próxima criptomoeda para competir com o Bitcoin.

Mas não é isso. 

Embora o real digital esteja na mesma categoria das criptomoedas – a de moedas digitais -, existem diferenças fundamentais entre os ativos.

Para começar, o e-real tem lastro na moeda física do país (tem seu valor atrelado a ela), enquanto o Bitcoin não possui nenhum lastro (seu valor é determinado apenas pelas oferta e demanda do mercado). 

Por isso, a tendência é que a CBDC tenha um valor controlado e definido pelo BCB, enquanto as criptomoedas oscilam sua cotação a todo momento conforme os movimentos do mercado – quem acompanha o mercado de criptoativos sabe bem disso.

Outra diferença fundamental é que a essência do Bitcoin está na descentralização, já que os ativos não possuem uma coordenação central e são negociados por meio da tecnologia blockchain, enquanto o real digital será controlado por uma autoridade monetária nacional.

Basicamente, um blockchain funciona como um livro-razão que registra transações de forma 100% segura, promovendo trocas e transações confiáveis online em um processo digital e encadeamento.

Inclusive, o BCB pretende usar essa tecnologia para tornar as transações com o real digital seguras.

Mesmo assim, não se pode dizer que o real digital é uma criptomoeda, pois sua emissão e gestão serão centralizadas por uma autarquia federal integrante do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Isso é necessário porque o BCB precisa fiscalizar o uso da moeda digital e criar uma série de regulações para prevenir a lavagem de dinheiro, corrupção, terrorismo, remessas ilegais e várias outras atividades ilícitas. 

Na contramão disso, as criptomoedas são completamente descentralizadas e qualquer atualização ou mudança passa pelo consenso de uma comunidade.

Além disso, dificilmente o real digital terá qualquer tipo de anonimato, enquanto o Bitcoin não requer identificação. 

Essa moeda digital vai substituir o dinheiro físico?

Inicialmente, o presidente do BCB, Roberto Campos Neto, até citou a possibilidade de o real digital substituir gradualmente o dinheiro físico no país.

No entanto, a posição atual do órgão é de que a moeda digital será uma extensão da moeda física.

Em uma fala durante um evento de maio de 2021, divulgada pela Exame, Campos Neto afirmou que o real digital “será mais adequado a operações envolvendo ‘contratos digitais’ e não como uma moeda circulante em substituição ao dinheiro físico”. 

Contratos digitais, do inglês smart contracts, são tecnologias que formalizam negociações entre duas ou mais partes de forma inteligente dentro do blockchain, sem precisar de agentes mediadores.

Eles são muito mais seguros do que os contratos tradicionais, porque são escritos em uma linguagem de programação inalterável e executados automaticamente.

Por isso, são muito usados em transações de criptomoedas e CBDCs.

Com a criação do real digital, a moeda virtual também poderá ser usada em pagamentos instantâneos no varejo, agilizando as transações para empresas e clientes.

No entanto, não será possível que todos os brasileiros convertam suas notas físicas de reais na versão digital, pois isso geraria um problema para os bancos

Então, é muito pouco provável que a moeda digital substitua o dinheiro físico – pelo menos no horizonte atual. 

Na prática, os brasileiros poderão escolher manter parte dos seus ativos em dinheiro físico e outra parte em dinheiro virtual. 

Como vai ser a implementação do Real Digital no Brasil?

Ainda não há dados sobre a implementação do real digital no Brasil, pois até agora o BCB divulgou apenas as diretrizes básicas para iniciar essa conversa.

São elas:

  • Ênfase na possibilidade de desenvolvimento de modelos inovadores a partir de evoluções tecnológicas, como contratos inteligentes, internet das coisas (IoT) e dinheiro programável
  • Previsão de uso em pagamentos de varejo
  • Capacidade para realizar operações online e eventualmente operações offline 
  • Emissão pelo BCB, como uma extensão da moeda física, com a distribuição ao público intermediada por custodiantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB)
  • Ausência de remuneração (sem pagamento de juros aos bancos) 
  • Garantia da segurança jurídica em suas operações
  • Aderência a todos os princípios e regras de privacidade e segurança determinados, em especial, pela Lei do Sigilo Bancário e Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)
  • Desenho tecnológico que permita integral atendimento às recomendações internacionais e normas legais sobre prevenção à lavagem de dinheiro, ao financiamento do terrorismo e ao financiamento da proliferação de armas de destruição em massa, inclusive em cumprimento a ordens judiciais para rastrear operações ilícitas 
  • Adoção de solução que permita interoperabilidade e integração visando à realização de pagamentos transfronteiriços 
  • Adoção de padrões de resiliência e segurança cibernética equivalentes aos aplicáveis a infraestruturas críticas do mercado financeiro.

Ou seja: as tecnologias que serão utilizadas e um possível cronograma de implantação ainda estão em discussão com as instituições financeiras, setor privado e sociedade. 

Qual o impacto desse meio de pagamento digital no seu negócio?

Para as empresas, o real digital pode ser um meio de pagamento revolucionário em um futuro próximo. 

De acordo com o BCB, estes são os objetivos da criação da moeda digital:

  • Acompanhar o dinamismo da evolução tecnológica da economia brasileira 
  • Aumentar a eficiência do sistema de pagamentos de varejo 
  • Contribuir para o surgimento de novos modelos de negócio e de outras inovações baseadas nos avanços tecnológicos 
  • Favorecer a participação do Brasil nos cenários econômicos regional e global, aumentando a eficiência nas transações transfronteiriças.

No varejo, o real digital pode viabilizar pagamentos automáticos e agilizar ainda mais as transações. 

Segundo o coordenador dos trabalhos sobre a moeda digital do Banco Central, Fabio Araujo, o e-real será uma fonte de novas tecnologias e funcionalidades.

Em entrevista à InfoMoney de 2021, ele dá o exemplo de um supermercado com sistema de pagamento automatizado, no qual os clientes podem entrar na loja com um smartphone, colocar as compras no carrinho e sair sem passar pelo caixa.

Outro exemplo é o de uma geladeira inteligente conectada à internet (internet das coisas) que monitora a comida disponível e faz a compra no supermercado automaticamente quando algum item acaba, pagando com real digital.

Dentro da recorrência, essa pode ser uma grande oportunidade de facilitar ainda mais os pagamentos e automatizar cada ponto da cobrança recorrente

Já pensou em como essa tecnologia poderia transformar os negócios?

Além disso, a expectativa é de que o real digital reduza os custos do sistema financeiro e barateie transações como transferências de recursos ao exterior, por exemplo. 

E agora, ficou mais claro o que é o real digital e como ele pode impactar seu negócio?

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