REST (Representational State Transfer) não é uma tecnologia, mas sim um estilo de arquitetura para a construção de APIs, as pontes de comunicação entre diferentes sistemas na web. Sua importância é imensa, pois ele define um conjunto de regras e padrões que tornam as integrações mais simples, escaláveis e previsíveis, sendo a base de funcionamento da maior parte da internet moderna.
Antes do REST, as integrações entre sistemas eram complexas e rígidas. Conectar um ERP a uma plataforma de cobrança, por exemplo, exigia projetos caros e demorados. A dor dessa falta de padronização era a dificuldade para inovar, a alta curva de aprendizado para desenvolvedores e a criação de sistemas frágeis.
Por outro lado, entender e aplicar os princípios REST permite a criação de APIs muito mais simples, flexíveis e escaláveis. Essa abordagem aproveita a própria estrutura da web para facilitar a comunicação entre sistemas, acelerando o desenvolvimento, reduzindo a complexidade e permitindo que qualquer desenvolvedor possa consumir uma API de forma intuitiva.

a arquitetura REST transforma a comunicação entre sistemas em um diálogo padronizado, funcionando como a “linguagem universal” da internet para que um aplicativo de celular e um servidor de e-commerce “conversem” de forma simples, escalável e eficiente.
O que é REST?
No mundo da programação, o conceito de REST (Representational State Transfer) se aplica à construção de Aplicações Web, como softwares e sites, consistindo em um protocolo sobre a Arquitetura da Informação. Em outras palavras, a arquitetura de softwares visa que os programadores utilizem algumas regras para uma hierarquia bem organizada do código.
É possível até fazer um comparativo com a arquitetura de um prédio: para se erguer a construção, todos os níveis, desde o subsolo até o topo, precisam estar hierarquizados, bem delimitados pelas medidas corretas. Assim, o mesmo acontece na arquitetura da informação. Mas, em vez de tijolos e cimento para construir fundações e paredes, a estruturação dos códigos permite construir interfaces de forma consistente.
Essas regrinhas permitem que os web services sejam mais bem estruturados, leves e fáceis de serem integrados uns aos outros via API. Qualquer API gerada com o protocolo REST é chamada de Rest API ou API RESTful.
REST vs. RESTful: significam a mesma coisa?
Não exatamente, embora, na prática, os termos sejam usados de forma quase intercambiável. A diferença é sutil, mas importante para o entendimento conceitual: REST é o substantivo que nomeia a arquitetura, enquanto RESTful é o adjetivo que qualifica algo que segue essa arquitetura.
Pense da seguinte forma: REST é o conjunto de regras e princípios que definem o estilo arquitetural. Uma API RESTful é uma API que foi projetada e implementada seguindo as regras do REST. Ou seja, um sistema é RESTful quando ele está em conformidade com os princípios REST.
O que é API?
Se você chegou até aqui, mas ainda não sabe o que é API, vamos te explicar. A sigla significa Application Programming Interface, traduzido livremente como interface de programação da aplicação.
De forma simplificada, a API tem a função de permitir a comunicação de dados entre duas ou mais aplicações, para que funcionem conjuntamente.
Elas conectam não apenas softwares, mas também plugins a sites, e-commerce, redes sociais e a outros softwares. As APIs podem ser privadas ou públicas.
- As APIs privadas são aquelas pertencentes a uma empresa, funcionando internamente entre os sistemas da mesma;
- Já as APIs públicas são abertas na internet pelos programadores para uso livre;
- Há ainda as APIs vendidas por empresas SaaS, para uso dos seus clientes. São softwares que podem ser integrados ao sistema das empresas.
Para que serve a REST API?
Quando falamos em “Rest API”, estamos falando de uma API que segue os padrões definidos pelo estilo de arquitetura Rest. Como vimos, o REST é um conjunto de princípios de arquitetura de software.
Um desses princípios é a chamada “comunicação sem estado”, que permite a transferência independente de dados, pelas APIs ou navegadores. O HTTP (HyperText Transfer Protocol) é o caminho mais conhecido nas transferências de dados. Quanto às operações, ele permite:
- Criar dados no servidor (POST)
- Atualizar (PUT)
- Pesquisar (GET)
- Executar
- Remover (DELETE)
Assim, a maioria das Rest APIs utilizam o HTTP como protocolo de comunicação oficial, uma vez que apresenta uma interface de operações padronizadas. Outra possibilidade, menos utilizada, é o HTTPS.
Como funciona a REST API?
Uma API REST funciona de maneira muito parecida com a forma como navegamos na web. A lógica é a de cliente-servidor: um cliente (que pode ser um aplicativo de celular, um site ou outro sistema) faz uma requisição (um pedido) a um servidor pela internet, e o servidor devolve uma resposta. O REST é o conjunto de regras que padroniza como esses pedidos e respostas devem ser feitos.
Podemos pensar na interação como um pedido em um restaurante:
- O cliente (seu app) chama o garçom (a API) e faz um pedido claro
- O garçom leva o pedido até a cozinha (o servidor)
- A cozinha prepara o prato (os dados)
- O garçom traz o prato de volta para o cliente (a resposta)
Para que essa comunicação funcione, ela se baseia em alguns componentes principais:
A requisição (request): o que o cliente pede
Toda requisição é direcionada a um “endpoint”, que é uma URL específica (ex: /clientes/123). Além do endereço, a requisição contém um “verbo” (ou método) HTTP que diz ao servidor qual ação o cliente deseja realizar naquele recurso.
Os verbos HTTP: as ações da API
Os verbos HTTP são os comandos padrão que definem a intenção da requisição. Os quatro principais são:
- GET: usado para solicitar e ler dados. ex:
GET /clientes/123para buscar os dados do cliente 123 - POST: usado para criar um novo recurso. ex:
POST /clientespara cadastrar um novo cliente - PUT/PATCH: usado para atualizar um recurso existente. ex:
PUT /clientes/123para editar os dados do cliente 123 - DELETE: usado para remover um recurso. ex:
DELETE /clientes/123para excluir o cliente 123
A resposta (response): o que o servidor devolve
Após processar a requisição, o servidor sempre devolve uma resposta. Ela contém um código de status (como 200 OK para sucesso ou 404 Not Found para não encontrado) e, no corpo da mensagem, os dados solicitados, geralmente no formato JSON, que é leve e fácil de ser lido por qualquer sistema.
O princípio “stateless” (sem estado)
Uma característica fundamental do REST é que ele é stateless. Isso significa que cada requisição é independente e deve conter toda a informação necessária para ser processada. O servidor não “guarda o histórico” da sua conversa; ele trata cada pedido como se fosse o primeiro, o que torna a arquitetura muito mais simples e escalável.
Quais os principais usos do REST nas empresas?
As APIs construídas no estilo REST são os “blocos de construção” que permitem que o ecossistema digital de uma empresa funcione de forma integrada. Elas são a tecnologia que possibilita a automação de processos, a criação de experiências ricas para o cliente e a análise de dados centralizada. A seguir, exploramos os principais usos dessa arquitetura.
Integração de sistemas internos (ERPs e CRMs)
Talvez o uso mais fundamental das APIs REST seja como a “cola” que une os sistemas internos de uma empresa. Elas permitem que o seu CRM (sistema de clientes), seu ERP (sistema de gestão) e seu controle de estoque “conversem” entre si, garantindo que os dados estejam sempre sincronizados e evitando o trabalho de inserção manual em múltiplas plataformas. Isso é complementado por tecnologias como os webhooks, que notificam um sistema quando um evento acontece em outro.
Funcionalidades de e-commerce
Praticamente toda a funcionalidade de uma loja virtual moderna depende de APIs REST. Quando você finaliza uma compra, a plataforma usa uma API para se comunicar com o checkout de pagamento, que por sua vez usa outra API para falar com a operadora do cartão. O cálculo do preço do frete em tempo real também é feito através da consulta a uma API dos Correios ou da transportadora.
Criação de automações
As APIs são a base para a automação de processos entre diferentes ferramentas. Por exemplo, é possível criar uma automação onde, após um pagamento ser confirmado em sua plataforma de cobrança, a API envia um comando para sua ferramenta de marketing, que então dispara um e-mail de boas-vindas para o novo cliente.
Ferramentas de marketing
Plataformas de automação de marketing, como o Mailchimp ou a RD Station, usam APIs extensivamente. Elas se integram ao seu site ou sistema para capturar novos leads, segmentar contatos com base em seu comportamento e disparar campanhas de e-mail personalizadas, tudo de forma programada e automática.
Gestão de redes sociais
As APIs de plataformas como Facebook, Instagram e X (Twitter) permitem que empresas utilizem ferramentas de terceiros para gerenciar suas presenças digitais. É através dessas APIs que softwares de gestão de redes sociais conseguem agendar posts, responder a comentários e analisar métricas de engajamento de várias contas em um único painel.
Coleta de dados para análises (BI)
As APIs são essenciais para a área de Business Intelligence (BI). Elas permitem que uma empresa colete dados de dezenas de fontes diferentes — Google Analytics, dados de vendas da plataforma de pagamento, métricas do CRM, performance de anúncios — e os centralize em um único “data warehouse”. Com os dados unificados, é possível criar dashboards completos e ter uma visão 360º do negócio.
Quais as diferenças entre SOAP e REST?
Antes de o REST se tornar o padrão dominante para a criação de APIs na web, outro modelo era muito utilizado, especialmente em ambientes corporativos: o SOAP. Entender a diferença entre eles é compreender uma mudança de filosofia, da rigidez para a flexibilidade.
A seguir, comparamos os principais pontos:
- Tipo: o SOAP (Simple Object Access Protocol) é um protocolo formal, com regras rígidas sobre como as mensagens devem ser estruturadas. o REST, como vimos, é um estilo arquitetural, um conjunto de diretrizes flexíveis.
- Formato de dados: o SOAP utiliza exclusivamente o formato XML, que é mais verboso e pesado. o REST não tem uma regra fixa, mas na prática utiliza predominantemente o JSON, que é muito mais leve, simples e fácil de ser lido tanto por humanos quanto por máquinas.
- Performance: devido à sua estrutura mais complexa e ao uso do XML, as APIs SOAP são geralmente mais pesadas e lentas. as APIs RESTful são mais leves e rápidas, pois aproveitam melhor os recursos nativos da web, como o cache de HTTP.
- Casos de uso: o SOAP ainda é encontrado em sistemas legados de grandes empresas, que exigem contratos formais e transações complexas. o REST domina completamente o cenário de APIs públicas, aplicações mobile, microsserviços e tudo que exige agilidade e escalabilidade.
Vantagens das REST APIs
A ampla adoção do REST como padrão de mercado não é uma coincidência. Seus princípios arquiteturais foram projetados para aproveitar o melhor da web, o que resulta em uma série de vantagens que tornam o desenvolvimento de integrações mais rápido, simples e eficiente.
Escalabilidade
A escalabilidade é um dos principais benefícios, e ela vem diretamente do princípio “stateless” (sem estado). Como cada requisição é independente e o servidor não precisa guardar o histórico do cliente, é muito mais fácil distribuir a carga entre múltiplos servidores. Isso permite que a aplicação cresça e suporte um número massivo de usuários sem grandes gargalos de performance.
Flexibilidade
As APIs RESTful são extremamente flexíveis, pois não impõem uma linguagem de programação ou plataforma específica. Um cliente desenvolvido em JavaScript para um navegador pode se comunicar perfeitamente com um servidor construído em Java ou Python. Essa independência tecnológica permite que as equipes usem as melhores ferramentas para cada parte do sistema.
Independência (cliente-servidor)
A arquitetura REST separa claramente o cliente (a interface, como um app de celular) do servidor (onde os dados estão). Essa independência permite que as equipes de frontend e backend trabalhem em paralelo e evoluam de forma autônoma. Desde que o “contrato” da API seja mantido, é possível mudar completamente a interface sem precisar tocar no servidor, e vice-versa.
Personalização de formato
Diferente de protocolos mais rígidos como o SOAP, que exigia o uso de XML, o REST é flexível quanto ao formato dos dados. Embora o JSON seja o padrão de mercado hoje por sua leveza e simplicidade, uma API RESTful pode, teoricamente, trafegar dados em diversos outros formatos, como XML, HTML ou até texto puro, de acordo com a necessidade da aplicação.

as APIs RESTful são os blocos de construção que transformam softwares isolados em um ecossistema digital integrado, permitindo que um ERP se conecte a uma plataforma de pagamentos ou a uma ferramenta de marketing para criar automações.
3 termos técnicos essenciais do REST
Para “falar a língua” do REST, é preciso conhecer seu vocabulário fundamental. A comunicação entre o cliente e o servidor é altamente padronizada e se apoia em três componentes principais: as requisições, os métodos que indicam a ação, e os códigos que comunicam o resultado.
1. Requisições e comunicações
A “requisição” (ou request) é o pacote de informações que o cliente envia ao servidor para solicitar uma ação. Ela é composta por quatro partes principais:
- O método (ou verbo) HTTP: que define a ação a ser realizada (ex: GET, POST)
- O endpoint (ou path): a url que identifica o recurso que você quer acessar (ex:
/clientes/123) - O cabeçalho (headers): metadados sobre a requisição, como o formato dos dados e informações de autenticação
- O corpo (body): os dados em si que estão sendo enviados para o servidor, usado em métodos como POST e PUT.
2. Métodos HTTP
Os métodos, ou “verbos”, são o coração da requisição, pois definem qual operação será executada no recurso solicitado. Os mais utilizados são:
- GET: para buscar e ler um recurso
- POST: para criar um novo recurso
- PUT: para atualizar um recurso por completo
- DELETE: para remover um recurso
3. Códigos de respostas (status codes)
Toda requisição recebe uma resposta do servidor, que inclui um código numérico padronizado que indica o resultado da operação. Eles são agrupados em categorias:
- 2xx (sucesso): indica que a requisição foi bem-sucedida (ex:
200 OK,201 Created). - 4xx (erro do cliente): indica um erro na requisição feita pelo cliente (ex:
404 Not Foundpara um recurso que não existe,400 Bad Requestpara uma requisição mal formada). - 5xx (erro do servidor): indica que houve uma falha no servidor ao tentar processar uma requisição válida (ex:
500 Internal Server Error).
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