No cenário de pagamentos atual, entender os juros da maquininha de cartão é mais do que uma tarefa operacional; é uma decisão estratégica de gestão de fluxo de caixa. Para o empreendedor e o CFO, as taxas de intermediação impactam diretamente a margem líquida e o capital de giro do negócio.

Mais do que comparar percentuais isolados, é preciso compreender a composição entre taxas de captura, antecipação e o custo de oportunidade de cada venda. Neste guia, detalhamos como calcular esses custos com precisão e como estruturar sua precificação para que a conveniência do cartão não comprometa a lucratividade da sua operação.

Portanto, não escolha sua maquininha de cartão antes de ler este artigo até o final.

Calcular os juros da maquininha de cartão pelo método ‘por dentro’ garante que a taxa de intermediação não consuma a margem de lucro planejada do produto.

Entendendo os custos ocultos: MDR e Antecipação

Para uma gestão eficiente, o empreendedor deve decompor o custo da transação em três pilares principais:

MDR (Merchant Discount Rate)

É a taxa de desconto que a credenciadora retém por cada transação. Esse valor é dividido entre o banco emissor do cartão, a bandeira (Visa, Mastercard, etc.) e a própria adquirente.

Taxa de Antecipação de Recebíveis

É o custo financeiro para receber o valor de vendas parceladas antes do prazo padrão (que costuma ser de 30 dias para cada parcela). Se o seu negócio utiliza “antecipação automática”, esse juro pode ser o maior ralo de lucratividade da sua operação.

Custo de conectividade e aluguel

Refere-se ao custo fixo de manutenção do hardware ou licença de uso do software de captura.

Quais são os juros da maquininha de cartão?

Os juros da maquininha são, na realidade, taxas que incidem sobre o valor do pagamento feito pelo equipamento. Não há um valor específico, pois este varia de acordo com a plataforma de pagamentos responsável pelo pagamento e a forma como a cobrança é realizada. Há também empresas que cobram aluguel do aparelho.

Como calcular o Valor Líquido (Venda à Vista)

Para saber quanto sobrará no seu caixa após a venda, utilize a fórmula:

Como realizar o Repasse Estratégico (Cálculo “Por Dentro”)

Muitos empreendedores erram ao apenas somar a taxa ao preço (ex: R$ 100 + 2% = R$ 102). O cálculo correto para garantir que você receba exatamente o valor desejado deve ser feito “por dentro”:

Exemplo: Se você quer receber R$ 100 e a taxa é de 2%, a conta é $100 / 0,98$, resultando em R$ 102,04.

Como repassar os juros da maquininha para o preço da venda?

Para repassar os juros da maquininha sobre determinado produto, é preciso:

  • Multiplicar o preço do item por 100
  • Subtrair a taxa da maquininha por 100 
  • Dividir o primeiro resultado pelo segundo.

Agora para ficar mais claro, vamos dar um exemplo.

Novamente, vamos considerar um item no valor de R$ 100 com taxa de 2%.

Aplicando os passos acima, temos:

  • Preço final = (100 x 100) / (100 – 2)
  • Preço final = 10.000 / 98
  • Preço final = R$ 102,04.

É importante ressaltar que cobrar este preço final não é a única alternativa. 

Você pode estipular um preço que fique entre o original e o resultado do cálculo, levando em consideração que muitas pessoas podem pagar com dinheiro ou Pix. Ou, então, cobrar este valor só de quem pagar com cartão, o que é permitido pela legislação.

Neste caso, o ideal é estipular que o valor com o repasse é o preço do produto em si, mas quem pagar à vista ganha um desconto. Assim, você evita o constrangimento de dizer que “no cartão é mais caro”.

Enfim, leve em consideração as características do seu negócio.

Como calcular os juros da maquininha em compras parceladas?

O cálculo dos juros da maquininha é mais complicado, mas você pode tirar de letra seguindo os passos que vamos mostrar aqui. Lembre-se que, no início deste artigo, explicamos que há duas maneiras diferentes de cobrar os juros da maquininha, que variam conforme a plataforma.

Bom, se a mesma taxa valer para todas as parcelas, basta considerar o valor total e repetir os passos que mostramos acima. Porém, às vezes é cobrada uma taxa sobre o valor total e mais um adicional por parcela.

Nesses casos, os passos são os seguintes:

  • Multiplicar o preço por 100
  • Somar o total das taxas (lembre-se que a taxa adicional só vale a partir da segunda parcela) e subtrair o resultado de 100
  • Dividir o primeiro resultado pelo segundo
  • Subtrair o resultado do preço total.

Resumindo, fica assim:

  • Juros da maquininha = [(preço x 100) / (100 – soma das taxas)] – preço.

Agora vamos ao nosso exemplo: um produto custa R$ 100 e é parcelado em quatro vezes, com taxa de 3% mais 1% sobre a segunda, terceira e quarta parcelas.

Aplicando a fórmula acima, temos:

  • Juros da maquininha = [(100 x 100) / (100 – 3+1+1+1)] – 100
  • Juros da maquininha = [10.000 / 94] – 100
  • Juros da maquininha = 106,38 – 100 = 6,38.

Agora você já sabe que dos R$ 100, a empresa responsável pela maquininha ficará com R$ 6,38. Portanto, seu empreendimento ganhará R$ 93,62.

Aplicando esse cálculo, você pode comparar as condições de diferentes empresas para decidir qual maquininha seu negócio vai adquirir.

Antes de começar, porém, preste atenção na dica que vamos dar agora.

Estratégias de precificação: O que diz a Lei 13.443/2017

Muitos lojistas ainda têm dúvidas sobre a legalidade de diferenciar preços por meio de pagamento. Desde 2017, a Lei Federal 13.443 autoriza explicitamente a diferenciação de preços conforme o método de pagamento e o prazo.

Desconto vs. acréscimo

Psicologicamente, oferecer um “desconto para Pix ou dinheiro” é mais eficiente do que cobrar um “acréscimo no cartão”. Ao apresentar o preço já com a margem de segurança e conceder o benefício no pagamento à vista, você melhora a percepção de valor do cliente e protege seu DRE.

Mix de pagamentos e ponto de equilíbrio

O gestor deve monitorar o MDR médio da operação. Se o volume de vendas no crédito parcelado sobe demais, o ponto de equilíbrio (break-even) do negócio também sobe, exigindo um volume de vendas maior para manter o lucro líquido.

Quando a maquininha deixa de ser suficiente?

A maquininha física é ideal para o PDV (ponto de venda), mas à medida que o negócio escala para o digital, a empresa precisa migrar para uma afiliação E-commerce ou uma Plataforma de Pagamentos. A integração entre o mundo físico e o online (Omnichannel) permite que as taxas sejam negociadas globalmente, trazendo mais eficiência financeira e uma visão unificada do faturamento.

A antecipação de recebíveis é uma ferramenta de liquidez, mas seu custo deve ser provisionado para evitar a erosão da rentabilidade a longo prazo.

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