Por que EAD é a bola da vez do setor de educação?  

Diversos fatores têm contribuído para a expansão desse modelo de educação, entre eles o custo e adesão do público. Saiba por que a EAD tem conquistado mercados e quais são as expectativas para os próximos anos.

Uma das frases mais ouvidas em um momento de crise é que “ela é uma chance para as empresas se repensarem”. E não deixa de ser. É neste cenário apertado que as organizações reveem suas contas, cortam gastos excessivos e investem no que é preciso para se reinventar e superar o momento difícil. É bem clichê, mas é verdade que nas crises surgem boas oportunidades. E o setor de EaD (educação a distância) é um deles.

Mas, o que é EAD?

A EAD é a modalidade de educação onde a mediação pedagógica no processo de aprendizagem e ensino se faz por meio de recursos tecnológicos. Ou seja, aluno e professor não compartilham do mesmo espaço físico e temporal. Desse modo, os estudantes criam seus horários de estudo e remanejam de acordo com suas necessidades e tempo hábil. Além de pagar menos pela mesmo conteúdo do ensino presencial.

Como começou

Os primeiros registros da EAD vieram de meados do século I, quando São Paulo enviava às comunidades cristãs da Ásia Menor epístolas que ensinavam como viver sob a doutrina cristã em cenários desfavoráveis. Assim como os fins, os meios também mudaram. A EAD deixou suas marcas nas transmissões de programas educativos na TV e no rádio. E hoje tem forte presença nas instituições de educação.

No Brasil, os primeiros passos da educação a distância foram dados na Universidade de Brasília. A instituição oferecia cursos iniciantes via jornais e revistas. Em 1989, o conteúdo dessas aulas foi transformado no Centro de Educação Aberta, Continuada e Distância (CEAD) e originou o Brasil EAD.

Mercado

Antes de mais nada, é importante fomentar que a EAD não é um modelo exclusivo do ensino superior. Alunos do ensino médio, EJA, cursos profissionalizantes, de inglês e outras modalidades têm buscado na educação a distância a chance de aprender. Por isso, a oportunidade de crescer com a educação a distância tem batido na porta das instituições de ensino.

Veja os dados:

Em 2004, o modelo EAD representava a fatia de 0,8% nas instituições privadas. Esse percentual cresceu para 20% até 2014, de acordo com o Ministério da Educação. Para 2016, a expectativa é que esse número salte para 30%.

O número de matrículas nos cursos superiores teve um crescimento de 7,2% só em 2013. O Censo de Mercado EAD, divulgado pela ABED, apontou que mais de 25 mil cursos foram comercializados em 2014. Esses cursos de educação a distância contemplaram não só o ensino superior, mas também aulas para ensino médio, técnico, EJA, de especialização, técnico, etc.

Ano a ano, a EAD vem tomando o mercado de educação e ganhado espaço na preferência do aluno. Outro fator que contribui (e muito) para adesão da educação a distância são as restrições que o governo anunciou para o FIES. Com o crédito estudantil para as universidades presenciais mais limitado, os estudantes vão em busca de universidades que oferecem ensino a distância por causa das mensalidades com preços mais acessíveis. Como a Financiamento Estudantil não contemplava o EAD, o modelo não sofreu com as restrições.

Cursos de idiomas, informática e outros de profissionalização também são uma aposta dos alunos que preferem aprender via dispositivos de tecnologia. Escolas de idiomas, como a Cultura Inglesa, têm apostado no formato semipresencial – que mistura aulas presenciais e online.

Qualidade e Investimento

Os cursos do ensino superior são credenciados pelo MEC. As instituições têm investido para melhorar cada vez mais a educação a distância. Dados da ABED apontaram que entre 2014 e 2015 cerca de 51% das instituições de ensino investiram na EAD. Os principais investimentos foram em tecnologia e inovação, além de conteúdo educacional. O custo do modelo também pode ser mais rentável para as instituições.

A EAD ainda dá mais autoria para o aluno. Ele organiza os horários e aulas de acordo com a necessidade e disponibilidade, tem flexibilidade no estudo e aprende a gerir melhor os próprios métodos de ensino.

A adesão, flexibilidade, rentabilidade e acessibilidade são alguns dos fatores que contribuem para a expansão da educação a distância que, segundo estimativas do MEC, prevê atingir 33% da população só no ensino superior até 2020. Por esse motivo, as empresas do setor de ensino que entrarem ou se adequarem ao modelo têm grandes chances de abocanhar uma boa parte do mercado e crescer junto com a EAD nos próximos anos.

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Jornalista que passou por redações de entretenimento, varejo e economia, mas acabou se apaixonando por marketing digital e hoje atua em suas principais vertentes.