Os índices de consumo no Brasil passam por mudanças frequentes, de acordo com o momento vivido na economia. No entanto, diversas tendências estão se mantendo ao longo dos anos. Uma delas é a subida das classes emergentes.

O poder de consumo anda acessando classes até então pouco exploradas, tanto social quanto regionalmente. 

As classes C e D já vivem um grande momento quando falamos em poder de compra. Isso evidenciado pelo crédito oferecido entre os anos de 2005 a 2012, que teve seu auge em todas as pontas: imobiliário, crédito pessoal e automóveis. 

E também na mudança de perfil de compra: produtos importados, eletroeletrônicos, viagens e casa própria não são mais exclusividade das chamadas “classes A e B”.

Essa mudança é positiva para o país, pois, nesse ponto, a economia cresce e a qualidade de vida sobe. 

Ainda estamos longe de algo como inclusão social plena. Ao mesmo tempo em que o consumo de bens está mais acessível, os brasileiros ainda têm pouca ou nenhuma educação financeira a seu dispor.

Dessa forma, aprendem timidamente a usar o dinheiro e, principalmente, não sabem como investir.

Entenda mais sobre o cenário de consumo no Brasil, além de um derivado perigoso, o consumismo. Como tornar o consumo mais inteligente? Quais são as principais tendências de comportamento de compra atuais? Siga a leitura e entenda!

Significados de Consumo x Consumismo

“Consumo” e “consumismo”, apesar de parecidos na grafia, são dois termos com significados diferentes.

Segundo o Dicionário Financeiro, o consumo é a “prática econômica de adquirir bens e serviços”. Dessa forma, quando se compra algum item, de qualquer natureza, o indivíduo está consumindo aquela unidade.

A motivação para o consumo se dá, geralmente, por uma necessidade ou um hábito do comprador. Além disso, a oferta do mercado (preços, quantidade, lançamentos) é determinante para ditar o ritmo do consumo.

Já o “consumismo” diz respeito a um hábito descontrolado de consumo de um indivíduo ou de um grupo social. Ele acontece quando a frequência e quantidade de compras excede o limiar da média socialmente praticada, sem uma necessidade aparente.

Geralmente, o consumismo vem acompanhado de um anseio do consumidor de estar sempre por dentro das últimas tendências e dos lançamentos de produtos.

A longo prazo, o consumismo – que, em partes, é até mesmo incentivado pela indústria – é prejudicial para a saúde financeira do indivíduo, além de contribuir com o descarte exacerbado de materiais e com o esgotamento de recursos naturais do planeta. Por isso, não é uma prática recomendada.

Desafios

Todos esses dados nos fazem pensar que temos que acompanhar esse crescimento de forma sustentável. Ainda há 3 principais entraves para isso:

  • A população, em geral, ainda está educando sua forma de lidar com dinheiro; 
  • A distribuição de renda ainda é um fator de desigualdade a ser combatido no país; 
  • Os problemas internos do país que inibem políticas econômicas sustentáveis.

Já em relação aos principais dados sobre o consumismo, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostram que cerca de 3 em cada 10 consumidores no Brasil consideram as compras como o tipo de lazer favorito, que gera esse comportamento de compras em excesso.

Isso quer dizer que cerca de 30% da população compra, ocasionalmente, apenas para entretenimento ou diversão. Além disso, 40,2% dos entrevistados das classes A e B admitem que comprar é uma forma de reduzir o estresse do cotidiano.

Devido ao consumismo e outros fatores, como a crise econômica, a taxa de endividamento da população brasileira em junho de 2020, por exemplo, chegou a 67,1%, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) publicados pela Agência Brasil. Esse é o maior patamar da série, iniciada em 2010.

Já o percentual de inadimplentes chegou a 25,4% em junho deste ano, também acima das proporções de maio deste ano (25,1%) e de junho de 2019 (23,6%).

Veja aqui: O que é inadimplência e como evitá-la?

Panorama do consumo no Brasil

A nova geografia do consumo no Brasil prevê uma mudança relativa do poder de compra para as regiões Norte e Nordeste, segundo pesquisa da McKinsey

Em 2020, por exemplo, os estados da região nordeste tiveram uma participação de 21% do consumo brasileiro, frente aos 18% anteriores. Pernambuco, Alagoas, Piauí, Paraíba, Maranhão e Ceará são os estados com maior crescimento projetado, respectivamente.

Esses dados foram projetados e previstos com base em análises de mercado e históricos recentes pela consultoria McKinsey. E são importantes para a tomada de decisões na indústria e no comércio. 

O estado de São Paulo, por exemplo, concentra o maior número de investimento das cidades brasileiras, e, consequentemente, representa o maior crescimento em consumo também. Ele é seguido nesses índices pelo Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Curitiba. 

Todas essas análises impulsionam o Brasil para quinto maior mercado consumidor do mundo. Atrás de EUA, China, Japão e Alemanha. O consumo geral da família brasileira vai sair de 2,2 trilhões (dados de 2012) para 3,5 trilhões (projeção de 2020).

Principais tendências para o consumo no Brasil

Por conta do ano de 2020 ter sido tomado pela pandemia do novo coronavírus, o comportamento de compra dos consumidores se alterou. 

Por exemplo, se antes o brasileiro tinha ressalvas com as compras online, preferindo ir às lojas, o lockdown obrigou as pessoas a repensarem seus canais de consumo.

Isso gerou um aumento nas compras online de 73% em março, com destaque para os marketplaces, como apontam dados levantados pela Cashback World e divulgados no portal E-commerce Brasil

Ainda segundo o levantamento, que compara os resultados de fevereiro e março de 2020, entre as categorias de maior destaque em aumento de vendas no e-commerce estão:

  • Pets (+209%);
  • Saúde & Beleza (+91%);
  • Alimentos & Bebidas (+28%);
  • Eletrônicos (+14%);
  • Farmácias (+10%). 

Já as categorias que apresentaram as maiores quedas foram: Moda (-91%) e Viagem (-62%).

Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria, três fatores mais influenciam os brasileiros nas suas decisões de compra: preço, qualidade e marca.

Portanto, o consumidor passou a focar mais em itens de primeira necessidade e naqueles relacionados à saúde e bem-estar. 

Além disso, pesquisas apontam que as assinaturas das plataformas de streaming, como Netflix e Amazon, cresceram muito no início da pandemia, chegando a um pico de crescimento de 85% em abril.

Portanto, a projeção é de que o hábito de comprar online e de ter assinaturas de produtos e serviços tenha vindo para ficar na vida dos brasileiros.

A Economia da Recorrência no Brasil

Falando em assinaturas, você já parou para reparar no quanto consumimos diversas coisas, hoje, pagando uma mensalidade, e não no formato de compra tradicional?

Estima-se que, a cada dia, 600 novas pessoas aderem a algum tipo de assinatura para o seu dia a dia. O público mais propenso a ter algum tipo de assinatura são os Millenials e a Geração Z, ou seja, as gerações, considerando-se os titulares, são aqueles que têm entre 18 e 40 anos.

As assinaturas tornaram diversos produtos e serviços mais acessíveis, pois possuem um melhor custo-benefício que as compras avulsas. Por isso mesmo, a Economia da Recorrência, que gera negócios com pagamentos recorrentes ou assinaturas, também é chamada de “Economia do Acesso”. Ela proporciona que mais pessoas possam acessar bens e serviços.

Assista ao vídeo e entenda:

Quer ver só um exemplo dessa transformação? Antigamente, quando você queria instalar um determinado programa no seu computador, precisava comprar um CD que concedia a licença para a instalação do software, correto? 

Hoje, os softwares são todos baseados na Computação em Nuvem, e basta assinar e pagar uma mensalidade recorrente para acessá-lo a cada mês. Os preços são, geralmente, menores que as antigas licenças de software. Fora que todo o processo é muito mais simples: você acessa tudo online, sem precisar instalar nada. Assim, mais pessoas hoje conseguem pagar e usar um software original.

Essa revolução no formato de disponibilização e venda de softwares criou o que hoje conhecemos como SaaS (Software as a Service), e ele é só um dos exemplos da Economia da Recorrência. Ela transformou também outros setores, como o de filmes (de DVDs para o streaming), de música (de CDs para streaming), de games, e assim em diante.

Desdobramentos

Seguindo a mesma lógica, de que assim como esses produtos digitais são consumidos frequentemente podem ser vendidos por assinaturas, há também produtos físicos que podem ser entregues sempre ao consumidor a partir de uma cobrança recorrente. Assim, nasceram também os Clubes de Assinaturas.

Eles funcionam com um pagamento periódico e com entregas dos itens na casa do consumidor, de acordo com a frequência desejada.

Isso gera uma interessante fonte de receita para o vendedor, que passa a receber sempre e com previsibilidade. Além das vantagens para o consumidor, que através da mensalidade obtém um preço melhor que dos produtos avulsos e ainda tem o frete incluso.

Por isso, ressaltamos que a Economia da Recorrência é um grande propulsor de um consumo mais inteligente no Brasil e no mundo.

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