Quando uma cobrança recorrente falha, a primeira decisão é a mais crítica: tentar de novo imediatamente ou aguardar? A resposta depende do motivo da recusa — e cada motivo tem uma janela de recuperação diferente. Retentativas feitas no momento errado não apenas falham novamente; em alguns casos, violam as regras das bandeiras e podem resultar em penalidades para o estabelecimento.

Este guia cobre como as retentativas funcionam, quais são os códigos de recusa que permitem ou bloqueiam novas tentativas, as regras específicas de Visa e Mastercard, e as boas práticas que maximizam a taxa de recuperação sem expor a operação a riscos regulatórios.

Trocar de adquirente na retentativa não muda o agente decisor: o banco emissor continua sendo quem aprova ou recusa. O que define a eficiência da retentativa é o timing — não o caminho até o mesmo emissor.

O que são retentativas de pagamento?

Retentativas de pagamento são novas tentativas de cobrança realizadas após uma transação ser recusada. Podem ser automáticas — disparadas pela plataforma de pagamento com base em regras predefinidas — ou manuais, com o lojista acionando a cobrança diretamente.

O ponto central que define se uma retentativa vai funcionar é o mesmo que define a primeira tentativa: o banco emissor. Quem aprova ou recusa a transação não é o adquirente — é o banco que emitiu o cartão do cliente. Trocar de adquirente na retentativa não muda esse fato:

  • Transação → Adquirente A → Banco Emissor X
  • Retentativa → Adquirente B → Banco Emissor X

A rota mudou, mas o agente decisor é o mesmo. Por isso, retentativas imediatas após recusas por limite insuficiente raramente funcionam — o limite não se recuperou em segundos. O que muda com a retentativa é o timing e, em alguns casos, a forma como a transação é identificada — não quem toma a decisão final.

A lógica de retentativa eficiente parte do motivo da recusa: causas recuperáveis têm janela de tentativa; causas irreversíveis não permitem retentativa.

Regras gerais para retentativas: o Normativo 21 da ABECS

Em 15 de julho de 2020 entrou em vigor o Normativo 21 da Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviços (ABECS), que padroniza os códigos de recusa de pagamento no Brasil — tanto para transações físicas quanto digitais.

O normativo estabelece que o código da bandeira seja enviado pelo banco emissor ao comerciante em cada recusa, informando se a transação é reversível (permite retentativa) ou irreversível (não permite). Isso elimina a ambiguidade que existia antes: o lojista agora tem a informação necessária para decidir se faz ou não sentido tentar novamente.

As implicações práticas do Normativo 21:

  • Recusas com código reversível indicam que o problema pode ser contornado — limite insuficiente, instabilidade técnica transitória, dados desatualizados. A retentativa é permitida, respeitando os intervalos definidos pela bandeira.
  • Recusas com código irreversível indicam que o problema não será resolvido com uma nova tentativa — cartão cancelado, bloqueio definitivo, suspeita de fraude confirmada. Retentativas sobre códigos irreversíveis são proibidas pelas bandeiras e podem gerar penalidades.

Exemplos de códigos que permitem retentativas (reversíveis)

Os códigos abaixo são exemplos de recusas reversíveis segundo o Normativo 21 — situações em que a retentativa é permitida com o intervalo correto:

Código Descrição
51 Saldo/limite insuficiente
96 Falha no sistema / erro no processamento
91 Emissor fora do ar ou não localizado
19 Repita a transação
62 Cartão restrito (temporariamente)

O que fazer: aguardar o intervalo mínimo definido pela bandeira antes de tentar novamente. Para recusas por saldo (código 51), o intervalo recomendado é de pelo menos 24 a 48 horas — tempo suficiente para o cliente ter recomposto o limite.

Exemplos de códigos que não permitem retentativas (irreversíveis)

Código Descrição
14 Número de cartão inválido
04 Reter cartão (sem fraude)
41 Cartão perdido
43 Cartão roubado
78 Cartão bloqueado / não habilitado

O que fazer: não tentar novamente. Nesses casos, a ação correta é comunicar o cliente, solicitar atualização dos dados de pagamento ou encerrar o ciclo de cobrança para aquele cartão.

Regras por bandeira

Visa e Mastercard têm regras específicas sobre número de retentativas permitidas por janela de tempo. Violações geram multas aplicadas ao estabelecimento via adquirente.

Visa

A Visa distingue entre dois tipos de transações para fins de retentativa:

Transações com resposta de “não tente novamente” (Do Not Try Again): a Visa sinaliza explicitamente quando uma transação não deve ser retentada. Retentativas após esse sinal são penalizadas.

Transações com resposta de “pode tentar novamente”: a Visa permite até 15 retentativas em 30 dias para transações recusadas por motivos recuperáveis. Acima desse limite, o estabelecimento está sujeito a penalidades.

Regra adicional relevante: a Visa exige que, para transações recorrentes (MIT — Merchant Initiated Transaction), o estabelecimento use o identificador correto de transação recorrente. Transações recorrentes enviadas sem esse identificador podem ser tratadas como transações avulsas pelo emissor, com impacto na taxa de aprovação.

Mastercard

A Mastercard opera com uma lógica similar, dividindo os códigos de resposta em reversíveis e irreversíveis:

Códigos reversíveis (Mastercard): permitem novas tentativas respeitando os limites de frequência. O limite geral é de até 10 retentativas em 24 horas para o mesmo cartão e valor. Para transações recorrentes, o Mastercard exige intervalo mínimo de 24 horas entre tentativas para o mesmo código de recusa.

Códigos irreversíveis (Mastercard): incluem recusas por cartão cancelado, fraude confirmada e bloqueio definitivo. Retentativas sobre esses códigos geram alertas e podem resultar em multas progressivas por transação.

Elo e American Express

Elo e American Express seguem a mesma lógica de códigos reversíveis e irreversíveis, com especificações próprias disponíveis nas documentações de cada bandeira. Em geral, os limites de retentativa são alinhados com os praticados por Visa e Mastercard, com variações nos prazos mínimos entre tentativas.

Boas práticas para maximizar aprovação sem violar as regras

Tratar cada código de recusa individualmente. Uma régua genérica de retentativa que não distingue entre código 51 (saldo) e código 14 (cartão inválido) vai desperdiçar tentativas em recusas irreversíveis e potencialmente gerar penalidades. O primeiro passo é mapear os códigos de recusa mais frequentes na operação e definir a resposta correta para cada um.

Respeitar os intervalos mínimos. Retentativas imediatas raramente funcionam e podem ser bloqueadas pelo emissor como tentativa de abuso. Para recusas por saldo, o intervalo ideal é de 24 a 48 horas. Para instabilidades técnicas, algumas horas já podem ser suficientes.

Usar o identificador correto de transação recorrente (MIT). Para cobranças recorrentes sem a presença do cliente, o uso do flag MIT (Merchant Initiated Transaction) informa ao emissor que aquela cobrança é esperada e autorizada. Isso melhora a taxa de aprovação e reduz falsos positivos de antifraude.

Calibrar o horário da tentativa. Cobranças processadas no início da manhã têm historicamente maior taxa de aprovação do que cobranças em fim de tarde — momento em que o limite do dia pode já estar mais comprometido. Plataformas com retentativa inteligente ajustam automaticamente o horário da tentativa com base nesse padrão.

Comunicar o cliente antes de cortar o acesso. Uma sequência de retentativas sem comunicação ao cliente resulta em corte de acesso que ele não esperava — o que gera churn involuntário e abertura de chamados de suporte. A régua de retentativa precisa estar integrada à comunicação: notificar o cliente sobre a falha, orientar a atualização de dados e só encerrar o acesso após esgotadas as tentativas permitidas.

Não retentativas em cascata sem critério. Sequências de retentativas sem intervalo adequado podem ser interpretadas como comportamento abusivo pelo emissor e resultar em bloqueio definitivo da transação — o oposto do objetivo.

Retentativa automática ou régua configurável: o que cada modelo entrega

Essa é uma das dúvidas mais comuns de quem está avaliando uma plataforma de cobrança recorrente — e a resposta define diretamente quanto da inadimplência involuntária a operação vai conseguir recuperar.

Retentativa automática com lógica fixa é o modelo mais simples: a plataforma tenta a cobrança novamente após uma falha, em intervalo pré-definido, sem configuração necessária. O lojista não precisa fazer nada — mas também não tem controle sobre quando a tentativa acontece, em qual horário ou com qual critério de decisão. Para operações menores ou com volume baixo de falhas, resolve bem. Para operações em escala, a falta de granularidade limita a taxa de recuperação.

Régua de cobrança configurável permite definir quantas retentativas serão feitas, em quais dias após a falha, em qual horário e com quais critérios — inclusive com variação de adquirente entre tentativas, no caso de plataformas com multi-adquirência. A lógica importa porque diferentes causas de falha têm janelas de recuperação distintas: uma recusa por limite insuficiente tem maior chance de aprovação 24 a 48 horas depois, no início da manhã; uma falha técnica transitória pode ser resolvida em horas.

O que define uma boa régua de cobrança:

  • Intervalo entre tentativas: retentativas muito próximas da falha original tendem a reproduzir o mesmo resultado
  • Horário da tentativa: início da manhã tem taxa de aprovação historicamente maior
  • Número máximo de tentativas: as bandeiras limitam retentativas por janela — ultrapassar o limite pode resultar em bloqueio da transação pelo emissor
  • Integração com comunicação ao cliente: a régua precisa notificar o cliente sobre a falha e orientar atualização de dados quando necessário

Como a Vindi opera a retentativa

A Vindi oferece alguns modelos de retentativa para operações recorrentes:

Retentativa Simples: a plataforma tenta a cobrança automaticamente após uma falha, com base em regras predefinidas — sem configuração necessária pelo lojista.

Retentativas Inteligentes: nessas opções, a plataforma aplica inteligência de dados para retentar a cobrança através de regras específicas, como dias e horários mais assertivos, com troca de adquirente ou de perfil de pagamento.

Conheça mais sobre os tipos de retentativa inteligente disponíveis na Vindi:

Retentativas sobre códigos irreversíveis não apenas falham — podem gerar penalidades das bandeiras e bloqueios adicionais pelo emissor. O Normativo 21 da ABECS tornou obrigatória a classificação reversível/irreversível em todas as respostas de recusa no Brasil.

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