O cartão já faz parte integral da vida de grande parte dos brasileiros. Tem muita gente que não anda mais com dinheiro na carteira – e tem alguns que nem com carteira andam mais. Pagar com cartão virou algo natural e parece ser uma operação bem simples, não é mesmo? Mas, você sabe o que é preciso para que você consiga pagar aquele cafézinho com o cartão de crédito ou de débito? Não? Então, vem comigo que nesse artigo eu vou te explicar tudinho do que, formalmente, é chamado de modelo de 4 partes do arranjo de pagamentos com cartão.

O emissor 

A primeira peça desse quebra cabeça é o emissor do cartão. Até bem pouco tempo, a grande maioria dos cartões eram emitidos pelos bancos, principalmente pelos 4 maiores: Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica.

O emissor do cartão tem alguns papéis, dentre eles:

  • Emitir os cartões de crédito e débito;
  • Dar crédito – no caso de cartões de crédito;
  • Autorizar ou não as transações;
  • Garantir que os estabelecimentos recebam seus pagamentos – com o cliente pagando ou não a fatura do cartão;
  • Fazer o atendimento e o relacionamento com os portadores dos cartões.

Por serem os responsáveis por dar crédito para os portadores de cartões, os emissores assumem o maior risco nas transações dentro do modelo. Para ser um emissor de cartão, é preciso ser uma instituição financeira, como um banco por exemplo, ou ser uma administradora que tem parceria uma. Exemplos de administradoras de cartões são as grande varejistas como Pernambucanas, Renner, C&A, etc. Além disso, é preciso ser parceiro e filiado a uma das bandeiras presentes no Brasil, como Mastercard, Visa e Elo, que são as mais famosas.

O credenciador

Os credenciadores são responsáveis pelo credenciamento dos estabelecimentos que irão aceitar pagamentos com cartão, como por exemplo: Cielo, Rede e Stone, que são os maiores credenciadores do Brasil no momento.

As responsabilidades do credenciador são as seguintes:

  • Habilitar os estabelecimentos a vender com cartões que fazem parte do arranjo;
  • Implantar a rede de captura e terminal eletrônico;
  • Dar visibilidade da bandeira nos estabelecimentos;
  • Fazer o pagamento das transações para os estabelecimentos depois de receberem dos emissores.

Para ser um credenciador, uma instituição irá precisar de uma licença do Banco Central para operar, o que é algo bastante difícil de se conseguir. Além disso, precisará estar filiado as bandeiras que for oferecer nas “maquininhas” e ter uma conta de reserva de fundos em cada uma delas.

O papel de credenciador é um dos mais difíceis do arranjo, porque ele precisa cuidar de toda a infraestrutura de hardware e logística para fazer com que as maquininhas cheguem nos estabelecimentos. Além disso, eles têm uma grande responsabilidade de manter o sistema livre de fraudadores e, por isso, precisam ser especialistas em analisar os estabelecimentos que estão credenciando, em um processo conhecido como Know your customer (KYC).

O estabelecimento

Os estabelecimentos têm uma parte muito importante no modelo. Pois, apesar de não atuarem diretamente no desenvolvimento tecnológico do sistema, são eles que permitem que o arranjo de cartões se torne cada vez mais difundido no Brasil.

Por muito tempo, muitos estabelecimentos se negavam a aceitar cartão de crédito. Isso, muito por conta das altas taxas cobradas pelos credenciadores. Porém, agora com o mercado de cartões extremamente comoditizado e taxas derretendo, além da mudança de comportamento das pessoas, que preferem pagar com cartões do que andar com dinheiro, a aceitação de cartões aumentou exponencialmente. Os donos dos estabelecimentos entenderam que precisam aceitar pagamentos com cartões ou ficariam para trás.

O portador

Pode-se dizer que o portador é a parte mais importante do modelo. Se os brasileiros não tivessem adotado a mudança cultural de deixar de pagar com dinheiro e passassem a pagar com cartão, provavelmente o arranjo de cartões já teria deixado de existir. Além disso, com o acesso cada vez mais fácil aos cartões, mesmo que de débito, esse modo de pagar caiu na graça do brasileiro. No Brasil, hoje existem mais de 53 milhões de portadores de cartões, segundo o SPC Brasil.

Um modelo de 5 e não de 4 partes

Percebeu que eu falei algumas vezes das bandeiras, mas que elas não estavam inseridas nas 4 partes que integram o modelo de pagamentos com cartões? Pois é, a bandeira se posiciona como um intermediador e não como um participante desse modelo. Isso porque ela não tem participação no que chamamos de MDR (Merchant Discount Rate), que basicamente é a taxa que os estabelecimentos pagam para os credenciadores e que os credenciadores pagam para o emissores. É como se ela estivesse no centro intermediando todas as transações. 

As responsabilidades das bandeiras são as seguintes:

  • Afiliação dos emissores e dos credenciadores;
  • Administração da relação entre credenciadores e emissores;
  • Garantir a segurança das transações e a infraestrutura de processamento;
  • Determinação das regras de funcionamento e operação do sistema;
  • Roteamento das transações dos credenciadores para os bancos;
  • Agendamento da liquidação dos pagamentos dos credenciadores para os bancos.

Ao meu ver, a bandeira é a parte tecnológica mais importante do sistema de pagamentos com cartões. E o motivo é o seguinte: é ela que detém as regras tanto para os credenciadores, quanto para os emissores.

Mas afinal, qual é a mágica toda envolvendo pagamentos com cartão?

Bom, agora que conhecemos todos os participantes do modelo, te faço uma pergunta: você sabe o que acontece quando digitamos nossa senha em uma maquininha? Bom, basicamente acontece o seguinte:

  • O credenciador manda os dados do cartão e da compra para a bandeira do cartão;
  • A Bandeira recebe essa transação e manda os dados para o emissor autorizar a compra, seja ela de débito ou crédito;
  • O emissor decide se autoriza ou não, e manda a resposta de volta pra bandeira;
  • A bandeira pega a resposta e manda de volta para o credenciador, que então exibe na maquininha se a transação foi aprovada ou não – e se não, manda o motivo da rejeição;
  • Feito isso, o portador realizou o pagamento e já levou o produto. Se a transação foi de crédito, o credenciador irá receber o dinheiro do emissor 27 dias.  E se foi de débito, dois dias depois;
  • Ao receber o dinheiro, no geral os credenciadores pagam os estabelecimentos no modo débito também em dois dias. Já no modo crédito, normalmente em 30 ou 31 dias.

E aí, você imaginou que tanta coisa assim acontecia para que você conseguisse realizar um pagamento com um cartão? Pois é, apesar de parecer um pouco complexo, o sistema de pagamentos no Brasil é um dos mais avançados do mundo. Você já imaginou como seria sua vida hoje em dia sem cartão? A minha eu não consigo imaginar mais. Em breve vou falar um pouco mais sobre as taxas que são pagas dentro desse modelo e como elas impactam o mercado de modo geral.

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