Games as a Service (GaaS) é um modelo revolucionário que transformou a forma como consumimos jogos, possibilitando experiências contínuas e maior engajamento entre jogadores e desenvolvedores.

Apesar de promissor, o GaaS gera muitas dúvidas. Como funciona? Até onde vai a monetização? Será que os jogos clássicos desaparecerão?

Entender o GaaS ajudará a convergir melhores estratégias, aproveitar oportunidades de mercado e criar experiências inovadoras para gamers e empreendedores.

Vamos ao que interessa.

O que é Game as a Service (GaaS)?

Engajamento contínuo: Games as a Service mantém a comunidade ativa com atualizações e conteúdos regulares, prolongando a experiência de jogo.

Games as a Service é o modelo de negócio em que o jogo é constantemente atualizado para que o jogador continue adquirindo novos conteúdos ou recursos.

Esse conceito deixa para trás a ideia de que as companhias desenvolvem um jogo, lançam e já partem para o próximo projeto. Pelo contrário: em GaaS cada produto é idealizado para seguir rendendo frutos.

A ideia desse modelo é manter uma comunidade mobilizada com novidades constantes e, assim, lucrar além de uma simples venda. Mais abaixo, vamos mostrar como isso ocorre na prática.

Como funciona o modelo Games as a Service

O modelo GaaS gira em torno da retenção do usuário. Tudo é projetado para manter os jogadores engajados e dispostos a investir mais tempo (e dinheiro) no jogo. Desenvolvedores atualizam os jogos regularmente com novos conteúdos, eventos especiais e recompensas sazonais, atraindo os jogadores para experiencias prolongadas.

O segredo para o sucesso nesse formato é criar um balanceamento entre oferecer aos jogadores o suficiente para se divertirem gratuitamente, ao mesmo tempo em que implementa mecânicas de monetização eficientes.

GaaS vs. Games tradicionais: qual a melhor opção?

Empreendedores que entram no mercado de jogos frequentemente se deparam com essa pergunta crucial. A resposta depende de dois fatores principais:

  1. Visão de longo prazo – O modelo GaaS exige comprometimento contínuo, já que o jogo precisa ser atualizado e melhorado constantemente para manter os jogadores engajados. Já os jogos tradicionais geram receitas mais rápidas em uma única venda.
  2. Base de usuários – Para que o GaaS seja bem-sucedido, o jogo deve cultivar uma base ativa de jogadores. Jogos tradicionais podem atingir um grande público rapidamente, mas não garantem a mesma longevidade.

Escolher o modelo certo depende do público-alvo desejado, dos recursos disponíveis para desenvolvimento e, claro, da visão que você tem para o futuro do seu título.

Como os jogos GaaS são monetizados?

O GaaS prospera por meio de uma abordagem diversificada de monetização. Aqui estão os três principais formatos:

Microtransações e DLCs

Microtransações são pequenas compras no jogo, como roupas para personagens (skins), itens de personalização ou até vantagens específicas no gameplay. Já os DLCs (conteúdos para download) incluem pacotes maiores como expansões de história, novos mapas ou missões.

Exemplo popular: Fortnite, que revolucionou o mercado oferecendo skins e emotes únicos para os jogadores exibirem.

Assinaturas e passes de temporada

Para alguns jogos, especialmente MMO (Massive Multiplayer Online), os jogadores pagam assinaturas mensais para acessar todos os recursos. Passes de temporada, por outro lado, desbloqueiam recompensas exclusivas, conforme os jogadores completam objetivos em um período limitado.

Exemplo popular: World of Warcraft, referência mundial no modelo de assinatura.

Season Pass (ou Passe de Batalha/Temporada)

O passe de batalha é uma forma de monetizar recompensas progressivas para jogadores investidos. Eles pagam para desbloquear níveis adicionais de prêmios exclusivos que não estão disponíveis gratuitamente.

Exemplo popular: Call of Duty Warzone com seu passe sazonal.

Quais as vantagens e desvantagens do Game as a Service?

O modelo GaaS tem vantagens claras, mas também desafios significativos:

a) Vantagens do Game as a Service

1 – Longevidade

Jogos GaaS podem durar anos se mantiverem uma base de jogadores consistente. Atualizações frequentes promovem novidades, renovando regularmente a experiência.

2 – Comunidade ativa

Os jogos como serviço tendem a criar comunidades engajadas, o que fortalece tanto a marca quanto a lealdade dos jogadores.

3 – Receita contínua

Com diferentes formas de monetização, o modelo GaaS gera receita ao longo do tempo, criando previsibilidade financeira.

b – Desvantagens do Game as a Service

1 – Problemas de lançamento

Muitos jogos GaaS chegam incompletos ao mercado. Bugs e falta de conteúdo inicial podem frustrar os jogadores.

2 – Monetização agressiva

Táticas como vendas “pegue antes que acabe” podem alienar jogadores e criar percepções negativas da marca.

3 – Dependência de jogadores

Sem uma base ativa e engajada, o modelo entra em colapso rapidamente.

Entenda o tamanho do mercado de GaaS atualmente!

Após a pandemia, o mercado de GaaS cresceu exponencialmente, representando uma das maiores fatias da indústria global de jogos. Atualmente, jogos nesse formato geram bilhões para os desenvolvedores, com títulos como Fortnite e League of Legends dominando como líderes de mercado.

Monetização estratégica: O modelo GaaS equilibra diversão gratuita com microtransações e assinaturas, enfrentando críticas sobre acessibilidade e custo.

5 Cases de sucesso em Game as a Service

Aprendendo com os líderes:

  1. Blizzard – Transformou jogos como Overwatch e World of Warcraft em ícones do GaaS com comunidades leais.
  2. Tencent – Gigante do setor e dona de títulos como PUBG Mobile.
  3. Microsoft – Mudou o jogo com o Xbox Game Pass trazendo novos títulos mensais.
  4. Epic Games – Modelo lucrativo com base no Fortnite (evento ao vivo na virada do ano? Sim, eles já fizeram).
  5. Riot Games – Equipou o League of Legends com atualizações sazonais e conteúdo instigante.

3 tendências do mercado de Games para ficar de olho!

  1. Games em nuvem – A evolução das plataformas como o Xbox Cloud Gaming possibilita jogar sem hardware dedicado.
  2. Mais lançamentos em PC – Grandes desenvolvedores estão voltando a investir nos jogadores de PC.
  3. Híbridos – Jogos que equilibram pagamentos únicos com atualizações GaaS frequentes são um campo de experimentação crescente.

Games as a service: será o possível fim do console?

Ainda é cedo para falarmos em fim dos consoles como conhecemos. Já faz um tempo que as formas de se jogar videogame são cada vez mais diversas, e os consoles têm conseguido se adaptar bem a essa realidade. 

Aliás, os próprios consoles já rodam jogos em nuvem. Um bom exemplo disso é o recente lançamento do jogo Guardians of the Galaxy Cloud Version para o Nintendo Switch. 

Isso sem contar que os gamers formam um público fiel. Ainda que as tecnologias avancem até um ponto em que não seja mais necessário comprar um equipamento avançado para poder jogar os últimos lançamentos, ainda pode haver pessoas interessadas nas plataformas mais tradicionais. Afinal, ainda tem gente louca para jogar um PacMan no Atari… 

Controvérsia na comunidade gamer

Embora o modelo GaaS esteja crescendo no mercado, ainda está longe de ser unanimidade. Muitos jogadores criticam a ideia e classificam a ideia do “produto minimamente viável”, que mostramos no início deste texto, como jogos são publicados de uma forma precária.

“Em um cenário ideal, essas abominações minimamente viáveis seriam lançadas em uma versão mais equilibrada, e o dinheiro gerado poderia financiar mais conteúdo”, afirmou um gamer em um desabafo no YouTube, citando erros de continuidade nas histórias de alguns jogos lançados no formato MVP e alegando que falhas se deram por problemas na distribuição dos pacotes de expansão.

Outro foco das críticas de alguns é a venda separada de itens ou recursos para o jogo. Por exemplo, os gamers criticam estratégias como lançar um jogo com poucas fases gratuitas, cobrando para o usuário prosseguir.

Há até quem adote o termo “pay-to-win” (pague para vencer, em inglês), para ironizar a ideia de facilitar a finalização de um jogo difícil com as microtransações.

Esse cenário de rejeição exige uma boa estratégia para dar certo nesse mercado.

Como dar os primeiros passos no mercado de games

Para ingressar no mundo dos games, seu conhecimento precisa ir além do desenvolvimento dos jogos. Seja no modelo de assinaturas, free-to-play com microtransações ou um modelo híbrido dos dois, é preciso saber como funciona o mercado.

Por isso, vamos dar algumas dicas:

  • Pense fora da caixa: conhecer as preferências dos gamers é importante, mas para de destacar nesse mercado é preciso inovar e pensar em uma forma de democratizar o acesso a seus jogos
  • Crie parcerias: além de procurar empresas para viabilizar questões técnicas e de logística, é preciso manter vários parceiros, seja para distribuir brindes ou criar canais de contato com influenciadores e jornalistas
  • Evite a pirataria: além de cometer uma infração, quem pirateia jogos corre risco de criar um produto que não funciona, devido aos mecanismos de proteção cada vez mais avançados das grandes empresas
  • Automatize a gestão de assinaturas: usando uma ferramenta de gestão como a Vindi, você pode gerir facilmente seus clientes e planos, além de muitas outras funcionalidades que ajudam a saúde financeira do seu negócio.

Agora é sua vez. O modelo GaaS está transformando o setor de jogos de forma irrefutável. Se você quer criar um título que dure, faça um estudo profundo e avalie todas as variáveis antes de abraçar totalmente esse formato.

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