O MDR (Merchant Discount Rate) é a taxa percentual cobrada sobre cada venda que sua empresa realiza no cartão, seja na maquininha ou online. Compreender essa taxa é crucial, pois ela representa um custo direto que impacta a margem de lucro de absolutamente todas as suas transações.

Para muitos gestores, o MDR é apenas um valor descontado no extrato, sem clareza sobre sua composição. Essa falta de visibilidade é perigosa, pois pode levar a uma precificação inadequada, à dificuldade em negociar taxas melhores e a uma perda silenciosa de lucratividade que corrói seu caixa.

Ao dominar os componentes do MDR, por outro lado, você ganha poder de negociação e controle sobre seus custos. Esse conhecimento permite escolher os melhores parceiros de pagamento, otimizar taxas e tomar decisões estratégicas para aumentar a margem de lucro do seu negócio.

A taxa MDR desmistifica o custo da transação, revelando como um único percentual remunera todo o ecossistema de pagamentos — do banco emissor à credenciadora — para garantir a segurança e a conveniência de cada venda no cartão.

O que é Merchant Discount Rate – taxa MDR?

O MDR é basicamente a taxa que as empresas pagam para as credenciadoras de cartão de crédito (Cielo, Stone, Rede e afins) para que eles possam aceitar pagamentos via cartão de crédito ou débito. Todo pagamento feito com cartão, seja ele em uma maquininha ou online, gera uma cobrança de MDR para as empresas.

O MDR é, na maioria das vezes, uma porcentagem do valor da compra. O valor dessa taxa vem despencando no Brasil por conta da “guerra das maquininhas”, onde o mercado vem ficando cada vez mais competitivo e aberto para novos entrantes. A competitividade está tão alta que algumas empresas chegaram a zerar a taxa para compras no crédito à vista.

Como ocorre o processo de uma transação?

Pode parecer mágica, mas quando um cliente paga com cartão, uma complexa e rápida conversa entre diferentes instituições acontece em segundos. Entender os bastidores dessa operação é o primeiro passo para compreender por que a taxa MDR existe e como ela é dividida.

Primeiro, vamos conhecer os 5 participantes desse fluxo:

  • O cliente (ou portador): a pessoa que é dona do cartão e realiza a compra.
  • O lojista (ou estabelecimento): sua empresa, que está vendendo o produto ou serviço.
  • O adquirente (ou credenciadora): a empresa que processa a transação para o lojista (a “maquininha” ou o gateway de pagamento online).
  • A bandeira do cartão: a marca do cartão (ex: Visa, Mastercard), que regula as regras e conecta os participantes.
  • O banco emissor: o banco do cliente, que emitiu o cartão e autoriza (ou nega) a transação.

Agora, veja como eles interagem em uma venda:

  1. Autorização (a jornada de 2 segundos): quando seu cliente paga, os dados da transação saem da sua loja e são enviados ao Adquirente. O Adquirente, por sua vez, pergunta à Bandeira se o cartão é válido. A Bandeira localiza o Banco Emissor e pergunta se o cliente tem saldo ou limite. O Banco Emissor responde “sim” ou “não”, e essa resposta faz todo o caminho de volta até sua loja, aprovando a venda.

  2. Liquidação (a jornada do dinheiro): Após a venda ser aprovada, o dinheiro não cai na sua conta instantaneamente. O Banco Emissor envia o valor da compra para o Adquirente, já descontando sua parte da taxa. A Bandeira também recebe sua parte. Por fim, o Adquirente deposita o valor na conta do Lojista, descontando a taxa final combinada: o MDR. É por isso que a taxa existe, para remunerar cada um desses participantes pelo seu papel na transação.

Como é composta a taxa MDR?

Agora que entendemos todos os envolvidos em uma transação, fica mais fácil compreender que o MDR não é uma taxa única que fica 100% com a sua credenciadora. Na verdade, ele é um valor “fatiado” para remunerar cada participante do processo. A composição do MDR se divide em três grandes grupos:

Taxa de intercâmbio

Esta é a maior fatia do MDR e remunera o banco emissor do cartão (o banco do seu cliente). Essa taxa serve para cobrir os custos e os riscos que o emissor assume na transação, como a possibilidade de fraude e a inadimplência do portador do cartão.

Taxa da bandeira

Uma parte menor da taxa é destinada à bandeira do cartão (como Visa, Mastercard, Elo, etc.). Esse valor remunera a bandeira pela utilização de sua tecnologia, sua rede global de pagamentos e pela regulação de todo o ecossistema.

Taxa do adquirente (ou Net MDR)

Esta é a fatia do MDR que efetivamente remunera a sua credenciadora. É com este valor que ela cobre todos os seus próprios custos e obtém seu lucro. Essa taxa é composta principalmente pelos seguintes itens:

Taxa de processamento do pagamento

Esta é a remuneração direta pelo serviço prestado pela credenciadora. Ela cobre o custo da tecnologia do gateway de pagamento, a infraestrutura para processar a transação com segurança e velocidade, e a margem de lucro da empresa pelo serviço.

Custos adicionais

Além do processamento, a taxa do adquirente também precisa cobrir uma série de custos operacionais e de risco que a credenciadora assume para proteger a sua loja. Isso inclui os custos com sistemas antifraude, o gerenciamento de chargebacks (contestações de compra) e o suporte técnico oferecido a você.

Para que serve a taxa Merchant Discount Rate?

Apesar de ser vista como um custo para o lojista, a taxa MDR é o combustível que sustenta todo o ecossistema de pagamentos com cartão. Seu propósito principal é viabilizar que uma transação aconteça de forma rápida, segura e conveniente, remunerando todos os envolvidos e cobrindo os riscos da operação.

Os principais objetivos da taxa MDR são:

  • Remunerar os participantes do ecossistema: como vimos, a taxa é distribuída para pagar pelo serviço do banco emissor (que assume o risco do crédito), da bandeira (que provê a rede e as regras) e da credenciadora (que processa a transação). Sem o MDR, não haveria um modelo de negócio para essas empresas operarem.

  • Cobrir os riscos de fraude e inadimplência: uma parte significativa da taxa (principalmente a de intercâmbio) funciona como uma garantia para cobrir os custos de transações fraudulentas, chargebacks (contestações) e o risco de o consumidor não pagar a fatura do cartão de crédito.

  • Incentivar o consumo com benefícios: a taxa também ajuda a financiar os programas de recompensa, como pontos, milhas e cashback, que os bancos emissores oferecem aos seus clientes. Esses benefícios estimulam os consumidores a utilizarem o cartão como meio de pagamento, o que gera mais vendas para os lojistas.

  • Manter e evoluir a tecnologia de pagamentos: o MDR financia a manutenção e a inovação da infraestrutura de pagamentos. Isso inclui desde a segurança das transações com chip e tokenização até o desenvolvimento de novas tecnologias que tornam o processo de compra mais ágil e seguro para todos.

Como calcular a taxa MDR?

Calcular o valor exato do MDR que incide sobre cada venda é uma tarefa simples e essencial para a sua conciliação financeira. O cálculo se baseia em aplicar a taxa percentual negociada com sua credenciadora sobre o valor bruto da transação.

A fórmula é direta:

Valor do MDR (R$) = Valor Total da Venda x Taxa MDR (%)

Vamos a um exemplo prático para ilustrar.

Imagine que sua loja fez uma venda no valor de R$ 100,00 e a taxa MDR negociada para essa transação específica é de 2,5%.

  1. Cálculo do valor da taxa:

    • R$ 100,00 (Valor da Venda) x 2,5% (ou 0,025) = R$ 2,50
    • Neste caso, o valor da taxa MDR que será descontado dessa venda é de R$ 2,50.
  2. Cálculo do valor líquido a receber:

    • R$ 100,00 (Valor da Venda) - R$ 2,50 (Valor do MDR) = R$ 97,50
    • Portanto, o valor líquido que será depositado na sua conta referente a essa transação é de R$ 97,50.

É importante lembrar que a taxa MDR de 2,5% usada no exemplo pode variar. O percentual final que você paga geralmente depende de fatores como a bandeira do cartão, a modalidade (crédito à vista, parcelado ou débito) e o seu poder de negociação com a credenciadora.

Conheça os 5 tipos de Merchant Discount Rate – MDR!

Além de entender a composição do MDR, é vital saber que existem diferentes modelos e termos usados para descrever como essa taxa é cobrada. Cada modelo de precificação tem suas próprias vantagens e desvantagens, e a escolha certa depende do perfil e do volume de vendas da sua empresa. Conheça os 5 principais:

1. Preço fixo (Flat rate)

Este é o modelo mais simples de entender do ponto de vista do lojista. A credenciadora define um percentual único e fixo que será aplicado a um tipo de transação (ex: 2,5% para todas as vendas no crédito), independentemente da bandeira ou do banco emissor do cartão. Você sempre sabe exatamente qual será seu custo.

  • Vantagem: Simplicidade e previsibilidade total, o que facilita a precificação e a conciliação financeira.
  • Desvantagem: Pode ser mais caro, pois a taxa precisa cobrir os custos até dos cartões mais “caros” para a credenciadora.

2. Intercâmbio mais preços (Interchange-plus)

Considerado o modelo mais transparente. Aqui, você paga exatamente a taxa de intercâmbio real da transação (que varia a cada compra) mais uma taxa fixa (um percentual ou valor) para a credenciadora. Ex: Intercâmbio + 0,7%.

  • Vantagem: Transparência total sobre os custos. Geralmente, é o modelo mais barato para empresas com alto volume.
  • Desvantagem: Complexidade na conciliação, pois o custo final de cada transação é diferente.

3. Preços escalonados (Tiered)

Neste modelo, a credenciadora agrupa as transações em “camadas” ou “níveis” (tiers), geralmente três: qualificado, medianamente qualificado e não qualificado. Cada nível tem uma taxa diferente, sendo o “qualificado” o mais barato e o “não qualificado” o mais caro.

  • Vantagem: É um meio-termo em termos de simplicidade, sendo mais fácil de entender que o “Intercâmbio Mais”.
  • Desvantagem: Baixa transparência, pois a credenciadora tem total poder para classificar as transações em cada nível.

4. Preços baseados em assinatura

Um modelo mais recente, onde o lojista paga uma mensalidade fixa para ter acesso à plataforma. Em troca, as taxas por transação são drasticamente reduzidas, chegando perto do custo de intercâmbio puro (o modelo “Intercâmbio Mais”, mas com uma taxa do adquirente muito menor).

  • Vantagem: Muito econômico para empresas com altíssimo volume de vendas e ticket médio elevado.
  • Desvantagem: Exige um compromisso financeiro mensal fixo, não sendo vantajoso para negócios pequenos.

5. Taxas combinadas (Blended rate)

Este termo descreve a metodologia por trás do Preço Fixo. Aqui, a credenciadora “combina” ou “mescla” (do inglês, blend) as diversas taxas variáveis (intercâmbio do banco, taxa da bandeira) em uma única taxa média que é apresentada a você como um preço fixo. Em vez de repassar a complexidade das taxas variáveis, ela a absorve e simplifica para o lojista.

  • Vantagem: A conveniência de não ter que lidar com a flutuação das taxas de intercâmbio.
  • Desvantagem: A mesma do preço fixo: a falta de visibilidade sobre os custos reais de cada transação.

Como estão as taxas de Merchant Discount Rate no Brasil?

Diferentemente de alguns países, no Brasil não existe uma tabela fixa ou um teto único para o MDR. A taxa é um acordo comercial entre o lojista e sua credenciadora, e seu valor pode variar drasticamente com base em diversos fatores, como o volume de vendas, o ramo de atividade e o poder de negociação de cada empresa.

No entanto, é possível ter uma ideia das faixas de valores praticadas no mercado, que geralmente se dividem por modalidade de pagamento:

  • Cartão de débito: por ter o menor risco (o dinheiro sai diretamente da conta do cliente), esta modalidade possui as taxas mais baixas, geralmente variando entre 0,8% e 1,5% por transação.

  • Crédito à vista: esta é a modalidade mais comum. As taxas de MDR para vendas em 1x no crédito costumam ficar na faixa de 2,0% a 4,0%. A variação depende muito da bandeira do cartão e do porte do estabelecimento.

  • Crédito parcelado: aqui os custos aumentam. Além da taxa base do crédito, é comum que a credenciadora cobre uma taxa adicional por parcela. No parcelamento “sem juros” para o cliente, quem arca com o custo da antecipação é o lojista, e a taxa total pode variar de 3,5% a mais de 6%, dependendo do número de parcelas.

  • Pix: como um método de pagamento mais novo e de baixo custo de processamento, o Pix geralmente tem taxas mais competitivas, que podem ser um percentual menor (entre 0,5% e 1,0%) ou até um valor fixo por transação, dependendo do provedor.

6 fatores que podem influenciar a taxa MDR!

Como vimos, a taxa MDR não é um valor fixo e imutável. Ela é o resultado de uma negociação comercial complexa, influenciada por uma série de variáveis relacionadas ao seu negócio e ao perfil das suas transações. Conhecer os fatores que pesam na balança é o que te dá poder para negociar taxas mais justas e adequadas à sua realidade.

Veja os principais:

1. Volume de faturamento e transações (regra geral): quanto maior o volume de vendas processado pela sua empresa, maior o seu poder de barganha para negociar taxas menores. Grandes redes varejistas, por exemplo, conseguem taxas muito mais competitivas do que um pequeno comerciante.

2. Ramo de atividade (setor): cada tipo de negócio possui um “código de categoria” (ou MCC), e alguns são considerados de maior risco do que outros. Setores com histórico de mais chargebacks ou fraudes, como turismo ou venda de produtos digitais, tendem a ter um MDR mais alto do que setores de menor risco, como supermercados ou padarias.

3. Modalidade da venda (débito, crédito à vista ou parcelado): a forma de pagamento é um dos principais influenciadores. O débito sempre terá a menor taxa, por ser o mais seguro. O crédito à vista tem uma taxa intermediária. Já o crédito parcelado possui as taxas mais altas, pois o risco e o custo do “financiamento” para a credenciadora aumentam a cada parcela adicionada.

4. Tipo de cartão: nem todo cartão é igual. Um cartão de crédito “premium” (como Black ou Infinite), que oferece muitos pontos e benefícios ao portador, possui uma taxa de intercâmbio mais cara para o banco emissor. Esse custo maior é repassado na cadeia e resulta em um MDR mais alto para o lojista naquela transação específica.

5. Canal de venda (online vs. físico): vendas online (e-commerce) são classificadas como transações de “cartão não presente”, que são estatisticamente mais suscetíveis a fraudes do que as vendas físicas com chip e senha. Para cobrir esse risco adicional, as taxas de MDR para o e-commerce costumam ser ligeiramente mais altas.

6. A credenciadora e o modelo de preço: por fim, a própria empresa que você contrata para processar seus pagamentos tem um grande peso. Cada credenciadora possui suas próprias políticas comerciais e modelos de precificação (como vimos: Fixo, Intercâmbio+, etc.). A escolha do parceiro e do modelo de preço certo para o seu negócio é fundamental para otimizar seus custos.

Compreender os fatores que influenciam o MDR, do volume de vendas ao modelo de preço, transforma uma taxa obrigatória em uma alavanca estratégica, permitindo negociações mais eficientes e a otimização da lucratividade em cada transação.

Descubra o poder do Hub de Pagamentos da Vindi!

Transforme sua gestão financeira em vantagem competitiva com soluções que garantem a segurança das suas transações recorrentes, avulsas e no e-commerce, com alta estabilidade para vender sem interrupções, flexibilidade para precificar planos e assinaturas, multiadquirência e mais. Tudo isso com alta taxa de aprovação e as soluções certas para impulsionar o sucesso do seu negócio.

Fale com o nosso time e comece agora!

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você esteja de acordo com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar.
Aceitar consulte Mais informação Aceitar Leia mais

Política de privacidade e cookies