Clubes de assinaturas vão da curadoria à sustentabilidade

Depois de mais de 100 clubes de assinatura visitados, lançados e alguns que ficaram pelo caminho, posso concretizar agora, escrevendo esse texto que, o caminho é o sucesso do cliente. E isto é algo tão falado e tão pouco praticado, que o simples fato de gostar de gente e atender bem, já traz a diferenciação em qualquer negócio no Brasil. O mercado está carente de bom atendimento, principalmente no segmento de serviços, que lida diretamente com o cliente. Podemos atestar a grande falta de preparo e de compromisso de diversas empresas. Elas tentam, mas não conseguem praticar o que na teoria é o sucesso de qualquer negócio: o cliente e a satisfação dele.

Falando de um negócio baseado no modelo de assinaturas

O sucesso do cliente em assinaturas é basicamente ser curador do assinante. A assinatura de produto é por si só, um desafio grande para empreendedores desse segmento, por conta de logística, fornecimento de produto e também de preço. Não se engane achando que é mais simples controlar um negócio recorrente daquele “venda a venda”. Os clubes de assinatura no geral, precisam “encantar” o assinante todos os meses.

Além disso, atender um mesmo cliente mês a mês, é um desafio, pois surpreendê-lo se torna cada vez mais difícil. O ponto crítico para quem lança um clube são de fato os primeiros meses.

O terceiro mês é um tanto desafiador para a maioria dos clubes estreantes. Na maioria das vezes o assinante não permite erros depois do terceiro mês. Ele recebe a primeira caixa eufórico, a segunda ele espera se surpreender novamente (comparando com o kit da primeira). Mas quando chega a terceira, ele começa a analisar se o investimento na assinatura continua conveniente, cômodo e compensatório. O clube precisa bater nessas duas variáveis importantes para o modelo.

O que de fato faz a diferença, para quem está criando algo de valor e sustentável nesse segmento, é a curadoria, ou seja, o sucesso do cliente. Se o clube de assinatura não deixar claro, qual melhor forma de extrair a experiência desejada, não há conexão entre assinante e clube. Os clubes precisam agregar ao produto, ao serviço, uma experiência única. O sucesso do cliente faz com que alguns clubes de assinaturas vão da curadoria à sustentabilidade.

A sustentabilidade dos clubes de assinaturas

Para comprovar o que falei, vale ilustrar o assunto “sucesso do cliente”, com quem faz um trabalho excepcional e obtém resultados acima da própria sustentabilidade do modelo. Separei três casos únicos de como a curadoria interfere positivamente na sustentabilidade de alguns clubes.

Quintal da Cachaça – dos alambiques para as mesas dos clientes

A cachaça é a bebida destilada que mais cresce no mundo. Legal né? Produto brasileiro, que já tem grande mercado fora do país. Segundo pesquisas, os escravos pegavam a “garapa” que sobrava do plantio da cana de açúcar e a transformavam na cachaça que conhecemos. Isso por volta de 1530. A história da bebida se confunde com a história do País. Algumas marcas, centenárias são resistentes até hoje. A Ypióca, adquirida pela Diageo, tem 170 anos de existência. Para se ter uma ideia do mercado da cachaça mundial, somente 1% do que é produzido, é exportado. Outros destilados como whisky escocês e a vodca, atingem de 60%, 70% de exportação, do que é produzido.

As cachaças especiais são produtos únicos. Não estou falando daquela cachaça famosa que você conhece dos fins de semana nos churrascos de família. Estou falando de cachaça produzida pela história. Por alambiques com 100, 200 anos de vida. Conhecer todo os alambiques é quase impossível para a maioria dos apreciadores de cachaça. Esse é o negócio do Quintal da Cachaça, que vem fazendo um dos maiores cases de ecommerces de bebidas dos últimos tempos. Existem 40 mil alambiques no Brasil! Somente 4 mil deles são registrados. A cachaça é um baita negócio. O Thiago comprova com números, a força da “marvada”:

– 40.000 produtores no Brasil;

– 98% de pequenos e micro-empresários;

– 600 mil empregos diretos e indiretos;

– 11,5 litros de consumo de cachaça por ano por habitante;

– 7 bilhões de reais de movimento anual em sua cadeia produtiva;

– 4.000 marcas de cachaça disputam mercado no Brasil;

– Exporta cerca de 1% de sua produção anual;

– 3º destilado mais consumido no mundo;

– 87% do market share dos mercados de destilados no Brasil.

A cachaça é atraente do ponto de vista de exportação. Tanto que até o rapper Snoopy Dogg comprou a Cuca Fresca, cachaça premium produzida em Minas, de exportação mundial. Veja o vídeo.

Assinar cachaça é algo inusitado do ponto de vista de consumo, mas é algo muito rico do ponto de vista do assinante do Quintal. Você conhece a destilaria Mato Dentro? O Thiago, fundador do clube foi até São Luiz do Paraitinga – SP, conheceu o dono do alambique, conheceu a família que produz essa cachaça e trouxe na mala, a emoção, a história e a qualidade dessa cachaça. Não demorou muito para que todos assinantes do Quintal, viajassem para aquela destilaria através daquela garrafa que receberam dentro do kit enviado pelo clube.

Assista ao vídeo e viaje à destilaria Mato Dentro.

Isso vem acontecendo desde o primeiro dia de vida do clube. O Thiago vai pessoalmente a cada alambique, conhece cada cachaça, sua história e entrega essa valiosa experiência aos assinantes. É a curadoria dentro da casa do assinante. É como se o próprio Thiago e os donos dos alambiques se reunissem na casa do assinante para contar a história pessoalmente da cachaça e no final, tomar um gole de história. Na prática, as centenas de assinantes do clube esperam a seleção do Quintal e confiam nela, sem questionar a seleção do Thiago. Ele já visitou 60 alambiques nos estados de São Paulo, Rio de Grande do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Santa Catarina e Rio de Janeiro.

Para um produto tão apurado, só o Thiago e o Quintal da Cachaça para fazer algo nesse nível, com esse detalhe.

Site: http://quintaldacachaca.com.br/

Clubeer, a assinatura de cervejas especiais.

Paixão nacional, a “gelada” alcança o melhor momento no Brasil. Para se ter uma ideia do momento atual, a produção de cerveja vai atingir o número de 15 bilhões de litros em 2015. Essa popularidade, aliada à entrada das marcas estrangeiras no país, fez com que os consumidores da bebida começassem a experimentar outras cervejas, que não as populares nacionais.

Um dos grandes responsáveis por essa mudança foi justamente o Clubeer, clube de assinatura de cerveja pioneiro por aqui, que existe antes mesmo do mercado de assinaturas se desenvolver no país. Em outras palavras, milhares de pessoas aprenderam a beber cervejas especiais, através das seleções indicadas pelo Clubeer. Com o desenvolvimento do mercado de assinaturas no Brasil, vieram os concorrentes do Clubeer (mais de 30 já morreram) e também veio a consolidação do mercado de assinaturas de cervejas, um dos nichos do mercado de assinatura mais maduros. Existem pelo menos dez deles, com boa expressão no país.

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A conexão fez a diferença para o nascimento do clube. A curadoria é a fórmula para continuar fazendo. Foto: (Rafael Hupsel/Ag.Istoé)

A diferenciação precisou existir no caso dos sobreviventes, cada um com sua especialidade, rótulo ou público alvo. O Clubeer, que lidera a preferência desse mercado, aposta sempre na curadoria também. Algumas cervejas encontradas no clube, são exclusivas e isso atrai quem é realmente interessado em cervejas selecionadas. Além disso, a rede de benefícios desenvolvida para o assinante do Clubeer, permite a ele o acesso a dezenas de restaurantes, eventos e harmonizações personalizadas através de uma ferramenta do site. Aliás, esse é um dos pontos fortes dessa curadoria do clube: educar os assinantes a beber e servir a cerveja certa, no momento certo.

“O Clubeer tem a melhor seleção dentre todos os clubes. Comprovada pelos portais Ratebeer e Beeradvocate“, afirma Alexandre.

A conexão da cerveja

A conexão com o negócio dos fundadores faz muito sentido. Alexandre Bratt, o co-fundador, passou por Schincariol, Coca Cola e por empresas de alimentação antes do Clubeer, assim como as sócias Cristiana Bratt (esposa do Alexandre) e Kathia Zanatta, que também são do ramo cervejeiro. As duas trabalharam juntas e decidiram abrir o Clubeer quando viram uma lacuna em serviços ao redor do mercado da cerveja. Curiosidade: Kathia é a primeira sommelier de cervejas do Brasil. Essa conexão com o ramo de bebidas aliada ao pioneirismo, fez com o clube destoasse positivamente dos demais clubes de cerveja no início. Esse também foi o fator para que o Alexandre fosse convidado a um painel do evento Assinaturas Day para contar aos outros empreendedores do mercado de assinaturas, a verdadeira história por trás de site que sobreviveu aos preços da inovação, concorrência e ainda consegue depois de 5 anos, liderar seu mercado.

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Alexandre do Clubeer, compartilhando 5 anos de clube com participantes do Assinaturas Day. (Foto: Vindi)

Não se espante se você se deparar com um comercial do Clubeer na programação normal (horário nobre) da televisão. O pioneirismo não se mantém somente nas iniciativas do site do Clube, eles estão na tv aberta explicando para as pessoas o que é uma assinatura de cerveja.

O Clubeer é um pilar do ecommerce de assinatura no país.

Site: http://clubeer.com.br

Farofa.la, snacks com um propósito.

Milhões de pessoas tem intolerância à lactose, glúten, açúcar entre outros ingredientes do cotidiano comum das famílias. Essas restrições, viram problemas de saúde e só aumentam na vida das pessoas. Problemas esses, que somente quem vivencia dentro de casa um caso de restrição alimentar, sabe da dificuldade diária da alimentação saudável e restritiva nos dias de hoje. As pessoas estão colhendo novas patologias e complicações em decorrência das últimas décadas de consumo em todo o mundo. É quase impossível encontrar alimentos com essas demandas exclusivas.

Há 100 anos, antes da era da industrialização, ter o que comer na mesa era algo planejado. Tudo passava pelo processo de colheita, armazenamento e preparo da refeição. As famílias eram influenciadas pela mãe, até então dona de casa e responsável pela cozinha. Era chef, nutricionista e muitas vezes elaborava a refeição prevendo uma possível doença que estava por vir. Essa figura até então, não tinha iniciado o movimento de trabalhar fora de casa. As crianças eram livres de agrotóxicos, corantes e processo de industrialização de alimentos. E tomavam os “sucos de 30 frutas”, que avós receitavam caso a criança precisasse de vitamina.

Dos anos 80 para os dias de hoje: as mães dos nossos filhos não são mais donas de casa, não temos horta em nosso quintal tampouco tempo de sobra para refeições mais elaboradas e saudáveis. É o mau da globalização e industrialização.
Segundo André Melman, as pessoas vão ficar cada vez mais doentes por conta do consumo de fast foods, refrigerantes e outros alimentos críticos à saúde. Não tem segredo.

“Se comemos tudo de uma forma acelerada sem pausar para saborear de verdade, nem mesmo conseguimos perceber se está nos fazendo bem ou mal.” André Melman

André é o co-fundador do Farofa.la. Ele montou juntamente como Mikael Linder, um dos clubes de assinatura mais promissores e expressivos dos últimos tempos. Não por causa de marketing ou mídia, e sim pelo impacto que o projeto deles pode ter na alimentação e no futuro das pessoas no país.

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Farofa.la. Mika segundo da direita para a esquerda e Andre Melman, último da direita para esquerda. O empório mais saudável do mundo.

A história dos fundadores se confunde inclusive com a própria história do clube, positivamente falando. André era um executivo financeiro, que vivia sob a pressão usual desse segmento. Trabalhou em bancos, seguiu carreira promissora até receber o estalo, quando uma alergia grave mudou os rumos daquele executivo, fazendo com que alimentação tivesse um papel prioritário no dia a dia. Teve que mudar a rotina, começou a cozinhar e a sua forma de pensar, mudou. A alimentação foi o caminho para um tratamento da alma e da mente.

André já “pivotado”, viajou para Escócia para uma experiência única, onde trabalhou numa ecovila como marceneiro e pintor. Recebeu uma intensa lição de auto sustentação. As três semanas lá, fez ele largar tudo, pedir demissão e estudar Psicologia tempos depois. Durante esse período ainda teve tempo de se arrepender e ser seduzido algumas vezes pelo mercado corporativo, mas já era. Juntou vontade mais algumas economias e foi para a Índia vivenciar a cultura hindu. Depois disso foi para Israel onde trabalhou numa fazenda orgânica e por fim, fechou o ciclo na Grécia numa escola de yoga. Voltou ao Brasil 2 anos depois, com uma missão: abrir uma empresa de alimentos. Antes disso, teve tempo de ir ao Egito à Inglaterra para mergulhar em projetos sustentáveis.

O sócio e cofundador Mikael, tinha uma conexão com a cultura do empório. A família de Santa Catarina, era produtora rural e tinha um armazém. “Mika”, viveu parte da infância e da adolescência no armazém do avô entre vinhos, queijos, carnes e etc. Já adulto, morou na Itália com foco em alcançar um cargo na ONU e trabalhar com agricultura sustentável. Voltou ao Brasil com o projeto GastronomicaDOC, que acabou sendo o ensaio da criação do Farofa. Essa cultura do empório com orgânicos foi o ingrediente para fusão dos dois fundadores e a criação do Farofa.la.

Site: http://farofala.com.br

Grão Gourmet. Chegou a hora de tomar café especial!

O café é a segunda bebida mais consumida no país, só perde para a água. É uma das bebidas de maior potencial no mercado premium no mundo. E o advento das cápsulas (leia-se Nespresso) trouxe uma nova onda para os apreciadores, bem como uma nova forma de consumir. A quebra das patentes das cápsulas trouxe uma onda maior ainda, para produtores atacarem a Nestlé. O Brasil é o maior exportador de café do mundo, e maior produtor também. Apesar da preferência evidente nas mesas dos brasileiros, os cafés especiais ainda são um um mercado inexplorado. Consumidos exclusivamente pelas classes A e B por aqui, os cafés especiais estão em evidência. Os chamados “cafés gourmets” já mostram os números potenciais desse público alvo e sua produção confirma isso. Para ser especial, precisa ser exclusivo. Para ser exclusivo, precisa ser bem servido.

Especial, bem servido e exclusivo

O café especial é o negócio do Grão Gourmet. Fundado em 2013, o clube de assinatura de cafés especiais, propõe uma experiência real de como beber o café ideal. Não se engane, aquele café que você compra no supermercado, passa longe da qualidade da seleção do clube, que só entrega cafés especiais com pontuação acima de 80 na escala da SCAA (Associação Americana de Cafés Especiais). Essa associação controla o padrão de classificação de acordo com a qualidade do lote fabricado. Quem prova a seleção do clube, nota nos detalhes do sabor e na embalagem, que o Grão Gourmet não brinca quando o assunto é seleção.

renata gancev
Renata Gancev: grãos e moídos de qualidade. Foto: (Thais Fernandes)

Os dois fundadores Boris e Ranata Gancev, são casados e possuem uma conexão incrível com o café. Boris, é um dos maiores especialistas do mercado de café no Brasil, do ponto de vista de produção e investimento. Atuou como trader de produtores de café. Renata é Engenheira de Minas de formação. Trabalhou como especialista de solos e planejamento de lavras em uma mineradora. É uma amante natural do café. Essa combinação aliada à satisfação de receber as pessoas em casa e servir um bom café, foram elementos para a criação do clube que por iniciais R$23,50 entrega cafés especiais na casa dos apreciadores. O segredo do clube é a seleção.

Os cafés especiais são produzidos de forma única, sem ter os chamados defeitos de produção arábica (que podemos encontrar nos cafés normais no país). Tanto gosto quanto benefícios para a saúde, são imensuráveis do ponto de vista dos apreciadores. Os cafés especiais além de rastreados por produtores e associações, são controlados e as marcas produtoras de cafés gourmets, sobressaem-se na hora da exportação e na exigência dos amantes de café. Renata afirma:

“Não há dúvidas que temos alguns dos melhores cafés do mundo.” Renata Gancev

O Grão Gourmet permite que os assinantes acessem a produção de diversas fazendas: de café torrado em grãos ou moído. Diferente da maioria do mercado que olha para as cápsulas, o Grão Gourmet entrega a experiência de consumir o café, que precisa ser produzida pelo assinante. A maioria dos assinantes buscam exatamente isso, a experiência de coar o café e tomá-lo em poucos segundos.

Assista ao vídeo da Café Carmo (de Minas Gerais) e entenda o valor de um café especial

Com a curadoria de selecionar e pesquisar sobre cafés especiais, o Grão Gourmet manda o recado: está na hora beber café de qualidade.

Site: http://graogourmet.com/

Que esse seja um guia para os clubes de assinaturas, não só na sua criação, mas também na sua manutenção. A curadoria é um dos caminhos mais sustentáveis. É o sucesso do cliente.

Fontes: OGlobo, Portal Villarino, Projeto Draft, Assinaturas Day.

Fundador e CEO da Vindi, plataforma líder em recorrência e criador do maior evento de empresas SaaS e Assinaturas do país, o “Assinaturas Day”.

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