O Pix já é um sucesso antes mesmo de começar a funcionar. Mais de 10 milhões de chaves foram cadastradas no primeiro dia da operação de cadastramento da chave do Pix pelo Banco Central. Acha que foi pouco? Esse valor é bem maior do que o início da operação do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) lá em 2002, onde cerca de 5 mil transferências foram realizadas. 

É bastante animador ver que o novo sistema de pagamentos instantâneos brasileiro terá bastante potencial.

Afinal, em pleno 2020, não poder realizar uma transferência entre instituições financeiras depois das 17:00 e aos finais de semana parece algo até incrédulo para o patamar da tecnologia no mundo, não acha?

Corrida pela chave do Pix é a nova guerra das maquininhas?

Nas últimas semanas o mercado parou de falar da guerra das maquininhas e só se falou da corrida pela chave do Pix.

Quando o Bacen resolveu abrir o cadastramento das chaves pouco mais de um mês antes do início das operações do SPI (Sistema de Pagamentos Instantâneos), previstas para 16 de novembro, era difícil prever como o mercado iria reagir.

Mas, em questões de dias, até a Ana Paula Arósio que praticamente estava aposentada, ressuscitou para falar de um tal SX do Santander que, basicamente, é o Pix disfarçado de vermelho. Daí em diante o Pix virou mainstream total.

O que não faz tanto sentido na minha visão é essa tal corrida. Instituições estão realizando sorteios, dando pontos em programas de fidelidade e zerando taxas, totalmente na busca de que o consumidor cadastre seu CPF, telefone ou e-mail.

Tudo isso para que os consumidores passem a receber pagamentos instantâneos na sua conta naquelas instituições. Tudo bem que é uma grande novidade, e com grande potencial, mas será que as instituições financeiras estão achando que o Pix vai manter os clientes fidelizados? Não acredito que a novidade seja suficiente.

Afinal, o que é o Pix?

O Pix não é nada extraordinário, é basicamente um sistema de transferência de dinheiro eletrônico que funciona 24 horas por dia todos os dias do ano. Essa é a grande diferença para o Sistema de Pagamentos Brasileiro, que como eu disse, fecha às 17:00 e não funciona aos finais de semana. Em questão de velocidade, atualmente as TEDs chegam quase que instantaneamente.

Além disso, o Pix tem a obrigatoriedade de ser gratuito para pessoas físicas e para pessoas jurídicas. E, eu duvido que seja mais caro que o boleto, até porque não faz sentido pelo preço que o Banco Central está cobrando, R$ 0,01 a cada 10 transações.

Do ponto de vista financeiro, é até previsível que haja uma contração de mercado. Isso porque a tendência é que os 2% da taxa de MDR do cartão de débito e os R$ 3,00 cobrados para emitir um boleto migrem para o Pix.

As instituições financeiras parecem estar em um movimento de defesa para conseguir capturar a receita do SPI. Mesmo que ela seja menor, os bancos parecem estar pensando, como dizem por aí, “é melhor um pássaro na mão do que dois voando!“.

E, nesse desespero para conseguir sair na frente, estão apostando em dar uma importância muito grande na chave do Pix porque simplesmente virou hype (todo mundo tá fazendo).

Chave do Pix: o que o seu banco não te contou

O que as instituições estão esquecendo de dizer para os consumidores é que a chave é portável a qualquer momento. Além disso, o cadastro de uma chave, quando o sistema estiver em operação, também é instantâneo. 

Isso significa que, se o cliente cadastrar agora ou depois, não faz diferença nenhuma e que, uma vez cadastrada a chave, ela não está presa naquela instituição. Então, dessa forma, o Pix não parece ser algo que vai fidelizar os clientes em uma instituição, certo? 

Pare e pense: quando ter uma conta em um banco foi o que segurou as pessoas a continuarem lá? Ter a minha chave do Pix no Nubank, por exemplo, não significa que eu não possa ter outra chave em outro banco. Inclusive, eu posso ter uma chave Pix em quantas instituições eu quiser, contanto que elas sejam diferentes de instituição para instituição. Ou seja: só posso ter o CPF como chave em uma instituição, por exemplo, assim como o telefone e o e-mail.

O que ganha, no final, continua sendo a experiência da jornada como um todo. O que fez o Nubank ficar tão famoso não foi ter criado um cartão de crédito cool. Mas, sim, ter melhorado a jornada do usuário em relação a complexidade que havia em fazer qualquer coisa em bancos. Com isso, o Nubank retirou uma dor grande que ninguém havia feito ainda. 

Tenha uma visão além do Pix!

O Pix não é nada de extraordinário, acredite. Ele é basicamente uma atualização que deveria ter acontecido há muito tempo. Não é a chave que vai determinar o sucesso de uma instituição nessa mudança do mercado de pagamentos, até porque ela é praticamente ilimitada.

O que vai determinar é a capacidade das empresas em entender as dores dos usuários e conseguir criar soluções inovadoras, justas e acessíveis. Na corrida maluca do Pix, a chave é o que menos importa!

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