Transformação digital na economia: o futuro dos bancos

Tornar-se o primeiro unicórnio do Brasil. Antes de 2018, essa era a meta do Nubank, uma das startups brasileiras que lutava para alcançar o valor estimado de US$ 1 bilhão em investimentos. Representantes da fintech dizem, até, que o futuro dos bancos é roxo.

Este texto vai falar exatamente sobre isso: a maneira como um novo cenário de serviços financeiros se inseriu no mercado graças às novas tecnologias da transformação digital.

CEO e fundador do “roxinho”, David Vélez é colombiano e, enquanto vivia nos Estados Unidos, teve a genial ideia de criar um conjunto de serviços financeiros que facilitasse a vida dos usuários, sem taxas, sem burocracias e sem atendimento em pontos físicos.

Em maio de 2013 surgia o Nubank, cartão de crédito isento de tarifas ou anuidades e 100% digital. No ano passado, a base de clientes da startup dobrou com relação a 2016, atingindo 3 milhões de pessoas.

A rápida expansão representa a inevitável conquista de espaço em um país com instituições altamente burocráticas e concentradas.

A força das fintechs

Uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial, publicada em agosto de 2017, afirma que as fintechs modificaram a estrutura, a entrega e o consumo de serviços financeiros em âmbito mundial, muito embora ainda não tenham se estabelecido como dominantes no segmento.

Enquanto os serviços bancários 100% digitais obtiveram sucesso nos quesitos relacionados à inovação e à melhor experiência do cliente, eles ainda têm dificuldades em conseguir criar novas infraestruturas e estabelecer ecossistemas financeiros consolidados.

Sim, ainda há um longo caminho a percorrer para que a metamorfose aconteça por completo. Mas estamos na direção certa e avançamos em alta velocidade. Até o final de 2017, o Brasil contava com 309 fintechs – aumento de 41% em relação ao ano anterior.

Os dados são da Finnovation, que também revela que a maioria delas atua na área de pagamentos, representando 28% deste mercado. Somente em 2016, as financial technologies brasileiras receberam mais de US$ 160 milhões em investimentos, o que posiciona o Brasil na lista dos 10 maiores do mundo nessas startups.

Novas parcerias frente às disrupções

Com a invasão das fintechs como tendência mundial, os bancos precisaram repensar seus modelos de negócios para encontrarem soluções viáveis como forma de permanecerem ativos – e, também, lucrativos.

É por isso que instituições financeiras passaram a encarar a experiência do consumidor como ponto-chave para destacarem-se e diferenciarem-se em meio a tanta concorrência digital.

O Relatório Mundial sobre Bancos de Varejo de 2016 revela que a confiança na instituição, a experiência para lidar com órgãos reguladores e o capital são as três principais vantagens que os bancos disponibilizam para usuários brasileiros.

Por outro lado, os benefícios oferecidos pelas fintechs incluem, principalmente, a facilidade de uso, a rapidez dos serviços e a experiência positiva do usuário. Unir as duas coisas, portanto, parece a solução perfeita. A pesquisa considerou 16 mil clientes de varejo de 32 países, incluindo o Brasil.

Apesar das tentativas, o erro dos bancos é que muitas dessas ações ainda estão focadas em processos, canais ou produtos, ao invés de seguirem a tendência atual de traçar todas as estratégicas com foco no consumidor.

Em entrevista à Febraban, o diretor-executivo de serviços financeiros da Accenture, Nuno Lopes, afirma que “a experiência ainda é muito desintegrada e inclusive inconsistente. Pode ser excelente no mobile banking e terrível na agência, além do fato de algo que o cliente faz num canal não ser visível em outro.”

Segundo a reportagem, já existem parcerias internacionais entre bancos e fintechs que rendem bons frutos, como acontece na Austrália. Lá, “ao caminhar por uma rua, um usuário que procura um imóvel (e tem um app do Common Wealth Bank) pode apontar a câmera do celular para uma casa à venda e receber informações da planta, ofertas na região até simular um crédito imobiliário.”

No Brasil, assim como na América Latina, os bancos ainda se preocupam muito com a funcionalidade dos canais, quando deveriam focar mais e melhor na inteligência analítica das informações obtidas de consumidores.

Em outras palavras, quando acontece a migração do físico para o digital, é preciso que as instituições já estejam preparadas para atender a esses clientes mobile, antecipando possíveis problemas e soluções, ao invés de considerar essas questões somente quando a transformação ocorrer de fato.

O futuro dos bancos com tecnologias emergentes

Adotar infraestruturas atualizadas e sistemas baseados em nuvem com código aberto talvez seja a solução para instituições financeiras ao firmar parcerias com fintechs.

Conseguir responder a demandas cada vez mais exigentes através do uso de serviços inovadores não é apenas tendência, como um movimento inteligente em meio à atual transformação digital que enfrentamos.

Um estudo da PwC revela que cerca de 90% das instituições bancárias acreditam que as startups oferecem riscos e que, no futuro, apenas 39% dos clientes atuais pretendem continuar contando com os serviços oferecidos pelos bancos tradicionais.

A implementação de processos e serviços mais ágeis, que funcionem em ambientes digitais, tornou-se indispensável. Por isso, o uso da nuvem permite que o sistema acompanhe, em tempo real, todas as mudanças e o crescimento acelerado das plataformas.

Rafael Ribeiro, diretor executivo da ABStartups, falou em entrevista para o Valor Econômico sobre o preenchimento de lacunas através de serviços de cloud computing e o amadurecimento do ecossistema de fintechs com o surgimento de novas tecnologias.

Para ele, “quando vemos uma empresa como o Itaú com aplicativo super evoluído, que com certeza está na nuvem, fica evidente que a velocidade das startups pressionou o setor a ser diferente.”

O estudo

Uma pesquisa da Deloitte, realizada entre fevereiro e março de 2017 com mais de 200 executivos seniors envolvidos com serviços financeiros, divulga que ⅔ dos respondentes acreditam que a inovação tecnológica é a principal influenciadora do futuro dos bancos.

O estudo considerou as seguintes tecnologias emergentes: wearables, internet das coisas (IoT), biométrica, robótica e automação cognitiva, criptomoedas, pagamentos mobile e blockchain.

Considerando o grupo G7 (formado por Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Estados Unidos e Reino Unido), que possui as maiores economias do mundo, uma média de 70% acredita que o impacto das novas tecnologias sobre os serviços financeiros será de médio a alto nos próximos anos.

Cinquenta e sete por cento desses lugares já utilizam ou pretendem utilizar biometria, 32% têm planos de inserir robótica nas transações, 27% já usam criptomoedas e 41% aceitam pagamentos mobile.

O futuro dos bancos já começou

Existem algumas empresas visionárias que não esperaram para que as previsões se tornem realidade antes de tomarem a frente das operações e iniciar ações transformadoras. Google e Amazon são ótimos exemplos que, pouco a pouco, comprovam que o mundo já é digital.

Recentemente, a Amazon lançou o Amazon Cash – um serviço online, isento de taxas. Com ele, os usuários podem carregar suas contas do site nos pontos de venda físicos, através da apresentação de um código de barras enviado por mensagem de texto ou e-mail.

A aplicação é dedicada às pessoas que não possuem ou não usam cartões de crédito ou débito. É como se a Amazon fosse um banco digital e o cliente que possui créditos em uma conta virtual pode gastá-los como quiser, em diversas lojas físicas.

Muitos bancos também pensaram adiante e passaram a adotar os sistemas Apple Pay e Android Pay em suas transações.

As regionais do Reino Unido dos bancos Clydesdale e Yorkshire lançaram, em 2016, um aplicativo para atender à demanda digital ao invés de tentar modificar serviços antigos. Durante o primeiro ano, a solução é gratuita, passando a cobrar uma taxa simbólica mensal do usuário após os primeiros 12 meses de uso.

O cenário brasileiro

A entrada de players antenados no mercado, assim como a mudança comportamental dos clientes, também gerou impactos positivos no Brasil. Segundo a Época Negócios, até o final de 2017 o Bradesco havia migrado 100 mil correntistas para uma plataforma 100% eletrônica.

Na mesma época, o Banco do Brasil passou a permitir a abertura online de contas, que leva apenas alguns minutos e, em novembro do ano passado, contava com 350 mil usuários.

O Itaú também já conta com a criação de contas bancárias através da internet. Foi, inclusive, um dos primeiros a abraçar a tecnologia e tê-la como aliada nas transações.

No caso do Banco Original, o canal digital cruza dados do usuário com o Facebook e utiliza biometria para reconhecimento facial dos clientes que optam pela abertura de conta online.

A possibilidade de fazer tudo pela internet passou a ser permitida apenas recentemente, em abril de 2016, mas já apresenta transformações inspiradoras para o futuro dos bancos brasileiros.

Para saber quais são os outros impactos causados pela digitalização na economia, leia este post do TD dedicado ao assunto.

Tiago Magnus é fundador do portal TransformacaoDigital.com, um ecossistema que conecta pessoas e empresas à Transformação Digital, com o objetivo de simplificar e democratizar o futuro. Além disso, atuou nos últimos 10 anos em projetos digitais, trabalhando com marcas como Lenovo, Carmen Steffens, Mormaii, VTEX, Carrefour, Centauro, entre outras, e como sócio de uma das principais agências digitais do Brasil.

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