O <!–c505218304b50c59c3659f6dda43bae7-links-0–> é um unicórnio fora da Vale do Silício.

Sem dinheiro de fundos de investimentos, sem presença no centro inovador do Vale do Silício e com uma mentalidade de crescimento sustentável, o Mailchimp é por sua própria existência e números, uma verdadeira aula de crescimento.

E provavelmente o maior case de growth hacking do mundo.

mailchimp

Foto: tomoswyn – Flickr

O ano de 2016 para a empresa, foi o melhor de todos, desde a sua fundação em 2001. A empresa atingiu cerca de R$1,23 bilhões em receitas. Diferente dos inúmeros casos que conhecemos, de startups globais que praticam a regra de criar um produto, captar dinheiro com investidores anjos, melhorar o produto, fazer rodadas com super investidores, escalar loucamente e depois um partir para um possível IPO, o Mailchimp é o anti Silicon Valley model.

Com 16 anos de vida, a empresa foi fundada em Atlanta (USA) por , , que cansaram de recusar nesses anos, propostas de venture capital e fundos de private equity de todos os cantos do mundo, que querem desesperadamente investir na empresa. O negócio está nas mãos dos fundadores. Eles criaram o Grupo Rocket Science, que também tem o Mandrill como negócio, além de outros 7 apps.

Se você ainda não entendeu o impacto dessa empresa, vamos aos números e uma pequena análise que fiz.

Números do Mailchimp

Apesar de ser uma empresa de capital fechado, o fundador Ben ilustrou alguns números da empresa no fim do ano passado para o jornal New York Times, que tentou de todas as formas tirar dados como margem financeira e resultados líquidos da empresa. Não conseguiu – mas trouxe um overview do tamanho do negócio.

De fato os números assustam. Positivamente, é claro.

Para se ter uma ideia, a projeção do ano passado era faturar cerca de U$400 milhões (cerca de R$1.2 bilhões). Para uma empresa que não recebeu investimento e com a estrutura enxuta de pessoas, isso é praticamente uma obra prima.

Com cerca de 550 funcionários, a empresa sempre se manteve rentável e com os custos na mão, afirmou o fundador. E nunca teve a estratégia de crescimento desenfreado. A citação do Jason Fried, fundador da 37Signals (Basecamp e outros) vale à pena para ilustrar a estratégia do Mailchimp:“um dos problemas de levantar dinheiro é que ele ensina maus hábitos desde o início”.

Números

Receita 2016: R$1,2 bi

Funcionários: 550

Clientes: 12 milhões (entre freemium e pagantes)

Novos clientes/usuários 2016: 3.936.108 (estou falando aqui de quase 4 milhões novos usuários)

Receita por funcionário: R$2,247 milhões

Emails enviados pela plataforma: 246.148.661.216 (246 bilhões de e-mails)

Para comparar melhor e ilustrar como eles são “fora da curva”, peguei os números da Hubspot e Marketo e cruzei numa análise simples de faturamento x colaboradores. Veja na comparação abaixo, que Hubspot tem o triplo de colaboradores e fatura 33% a menos que o Mailchimp.

Fonte: Vindi

Hubspot e Marketo construíram negócios fantásticos, mas o Mailchimp é mesmo digno de estudo. Mesmo com a queda nos últimos anos da ferramenta e-mail, que vem dividindo audiência com apps de mensagens de textos e voz, como forma de comunicação, ainda assim, acredito que o futuro da plataforma é caminhar forte para o marketing como um todo. Continuar atendendo as mesmas empresas, só que dessa vez com maior amplitude. Pode acompanhar.

Detalhe: tanto Marketo quanto Hubspot têm ações na bolsa americana.

O segredo

Ok, mas onde está o segredo do sucesso da plataforma? O que a teoria não mostra, é o que os fundadores não contam. Com um drive forte de produtos, uma usabilidade digna de Oscar e uma estratégia de aquisição matadora, o Mailchimp se contenta em continuar crescendo a passos controlados (diferente da maioria das startups) e investe na experiência do cliente.

Mas a virada do crescimento se deu, quando a empresa decidiu testar o modelo freemium (disponibilizar gratuitamente um produto ou serviço, porém, com restrições de recursos que podem ser contratados de acordo com a necessidade do cliente). Quando decidiram colocar o novo modelo no ar em 2009, a curva apontou para cima.

Fiz uma pequena análise, juntando alguns fragmentos de blogs da época e análises dos próprios fundadores – explicando que criar a necessidade do uso da plataforma, alavancou exponencialmente a receita. Veja no gráfico abaixo, uma análise de 2008.

Fonte: Vindi

O mais despreparado dos usuários, consegue configurar uma campanha na plataforma. E de fato, isso é um baita diferencial para startups e negócios que estão começando. Além disso, usuários podem começar no plano free, que permite 2.000 cadastros e 12.000 disparos por mês.

foto escritorio mailchimp

Foto: Escritório – Mailchimp

Termino essa rápida análise com uma mensagem do empreendedor do lado de lá.

“Você pode simplesmente começar um negócio, executá-lo para servir seus clientes e esquecer os investidores externos e o crescimento a qualquer custo. Ben Chestnut, co-fundador Mailchimp.

vindi

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