O que a abertura de capital do Spotify tem a nos dizer

Está, literalmente, estampado nos sites de notícias que “secretamente” o Spotify pediu a abertura de IPO e aparentemente a empresa será listada diretamente na Bolsa de Nova Iorque neste primeiro trimestre – o que indica que as ações não têm preço predeterminado.

Legal, isso a gente já sabe. Inclusive, tínhamos dado uma prévia disso aqui no blog dizendo que o Spotify e mais três empresas de peso poderiam abrir capital na bolsa (veja aqui).

Se seguir os passos da Netflix, que tem suas ações valendo 140 vezes mais hoje do que antes da abertura de capital, o Spotify vai ter uma longa e próspera jornada. E isso só ratifica o quanto o mercado de serviços por assinatura tem potencial. Legal, isso já sabemos também. =)

Mas, como eu já disse uma vez, não é qualquer empresa que faz uma IPO. E o Spotify não é qualquer empresa, certo? Mas essa expansão só tem uma a coisa a nos dizer: a venda por assinatura é o futuro, mas também é o agora.

Expansão mercadológica

Escalar. Quem não quer ver sua empresa atingir os ápices almejados? E crescimento é o indicador de que os resultados esperados serão atingidos, isso é o óbvio. Mas, como é que se cresce?

A resposta é: seja acessível. O Spotify, por exemplo, demarcou o mercado fonográfico. Sim, existe um antes e um depois do Spotify.

Antes do Spotify, as músicas mais tocadas eram aquelas que estavam entre as as top 10 nas rádios mundiais. Hoje, tudo gira em torno das playlists do Spotify. Estourar uma música na mídia agora significa “estar listado entre as top X do Spotify” e não mais “ser a música mais tocada na rádio”.

E quem define isso: as pessoas, os ouvintes! Por que? Porque eles têm acesso.

Custo benefício

E tudo isso é possível através da venda de um produto que também é acessível para todos os públicos em questão de valores.

Inclusive, semana passada (4/1) o streaming atingiu a marca dos 70 milhões de usuários pagos – se contar os usuários “freemiuns”esse número é ainda maior , o que dá ainda mais espaço de mercado para a marca.

Apesar de parecer “besteira” oferecer o serviço gratuito, essa é a “isca” usada pelo Spotify para converter usuário em cliente – como falo neste texto aqui.

>> Como faturar no modelo recorrente 

Up no mercado fonográfico

A conta é simples (e olha que sou de humanas):

Acesso + Custo Benefício + Recorrência = produto escalado.

Esse é o caminho das pedras que o Spotify usou e que não é novidade (ou pelo menos não deveria ser) para nenhuma empresa que é recorrente.

Mas, dar esse poder de acesso às pessoas e ter uma receita recorrente não fez só a empresa crescer. Os impactos refletiram na própria indústria fonográfica que vinha sofrendo com a digitalização da música (pessoas baixando faixas em vez de comprar CD’s).

O ano de 2015 ficou caracterizado como o melhor da indústria fonográfica nos últimos 20 anos. Pela primeira vez, as vendas de músicas digitais ultrapassaram as físicas e o mercado faturou US$ 15 bilhões.

Eh, o Spotify achou uma maneira de cobrar pela digitalização da música e reinventou o mercado. O que significou (junto aos streamings que surgiram depois) uma representatividade de 43% desses bilhões citados acima.

Então, qual é o recado que a IPO do Spotify vem nos dar? As empresas que oferecem acesso e cobram de maneira recorrente são as próximas potências financeiras. Estão aí as notícias que não me deixam mentir…!

 

Sobre o autor

Nathalia Braga
Jornalista que passou por redações de entretenimento, varejo e economia, mas acabou se apaixonando por marketing digital e hoje atua em suas principais vertentes.

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