O enterro do cheque pré-datado

Você provavelmente foi convidado para o enterro do cheque pré-datado e possivelmente, não vai aparecer no velório.

Brincadeiras à parte, fico me perguntando: até quando existirão cheques numa negociação comercial? Você conhece empresários que ainda usam esse sistema de pagamentos (que ficou na idade média)?

Se sim, faça este convite para ele:

O enterro do cheque pré-datado

O que precede o enterro, na regra, é o velório. Estamos neste exato momento assistindo ao velório do cheque e, especialmente, do pré-datado.

Em Janeiro deste ano, foram devolvidos 917.049 – quase um milhão – de cheques. Esse é um número bem alto se analisarmos a quantidade de pessoas que têm contas e que, efetivamente, movimentam elas com frequência.

Esse índice não muda muito, historicamente. Os dados publicados pelo Serasa são bem explicativos e analíticos: os índices de devolução estão diminuindo timidamente.

cheques pré-datados
Foto: Reprodução Serasa

Mas, esse resultado significa que estamos presenciando uma melhora na economia ou que os estabelecimentos estão mudando as formas de pagamento que oferecem na hora da venda?

O fim do contrato leonino

Há pouco tempo, 5 anos no máximo, era comum assinarmos contratos com cláusulas de cancelamento que lesavam uma desistência por alguma das partes. O chamado “contrato leonino”, que tem cláusulas consideradas abusivas em alguns casos, está com os dias contados.

No país inteiro, de acordo com a Serasa, foram 917.049 cheques devolvidos e 43.339.051 compensados. A maioria dos procedimentos sem fundos acontece na modalidade “pré-datado”, em que o emissor do cheque estabelece uma data prévia para compensação.

Normalmente, esse tipo de contrato vinha acompanhado de frases como: “Caso haja uma desistência da prestação de serviço, a multa correspondente de R$ XXX deverá ser aplicada sob penas de multa, protesto e despesas cartorárias devidas”. 

Não temos mais espaço para isso. Tanto é que a Economia da Recorrência está tomando conta de diversas relações comerciais, especialmente no segmento de serviços.

Cheque pré-datado para segmentos de serviços é sequestro?

Academias, escolas, construtoras e até empresas de tecnologia, tinham como forma de recebimento o cheque pré-datado (parcelando uma venda). A “garantia” da empresa que prestava o serviço nesse modelo e com essa forma de recebimento, era que para o cancelamento do serviço o cliente teria que, obrigatoriamente, renegociar o contrato.

Para outros casos mais extremos, um pedido de “pelo amor de deus, devolve meu cheque” era acionado pelo cliente. O mundo mudou, as empresas também! Não acreditamos mais nesse tipo de relação. Para o segmento de serviços, tomar como garantia cheques pré-datados é a pior medida de tentar manter o cliente.

Procure analisar a reação do seu cliente, no momento em que você solicita para ele 12 cheques para garantir o serviço.

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Sendo assim, nossas dicas principais quando algum cliente nosso, cita o cheque pré-datado são:

  • Não trate seu cliente como uma simples venda, relacione-se com ele;
  • Não coloque subsídios de manutenção de contratos, garanta o melhor serviço;
  • Se possível, exclua os contratos – use documentos como “termo de serviço”;
  • Não cobre multas (quando você faz isso, dá o sinal de que seu serviço é ruim);
  • Garanta a melhor experiência, isso é o que fará a manutenção do seu cliente, não um contrato.

Lembre-se que a relação comercial ideal, é aquela onde ambos lados ganham.

vindi

Fontes: Serasa e SPC.

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