A gente já escreveu sobre como o jornal New York Times cresceu ao decidir que adotaria o modelo de assinaturas. Em três meses, o veículo havia conseguido 308 mil novos leitores ao investir no modelo de cobrança recorrente.

O jornal é o segundo maior em circulação nos Estados Unidos, tem diversos prêmios de jornalismo e é referência no que tange notícias para os norte-americanos. Contudo, vinha sendo engolido pela crise que se instalou no jornalismo nos últimos tempos e não emplacava – mesmo investindo em jornalismo digital.

Antes das assinaturas

Redução nas tiragens (jornal impresso) pela queda na aquisição, vendas na metade do preço, passaralho (a famosa demissão em massa, na linguagem real) e ~ por incrível que pareça ~perda de credibilidade. E esse cenário não é muito diferente do que temos visto em alguns jornais brasileiros.

Depois das assinaturas

157 mil novas assinaturas no trimestre terminado em dezembro – ultrapassando a marca do 2,5 milhões. Só com os produtos digitais a receita e lucro aumentaram. Foram US$ 484,1 milhões de faturamento no período – o que representa aumento de 10%.

As ações do NYT subiram 14% (US$ 25,2) – maior resultado desde 2007.

Houve lucro de US$ 0,39 por ação, o que ultrapassou a meta de US$ 0,29 por ação esperada pelos analistas. Somando as receitas das assinaturas (que incluem a notícia, palavras cruzadas e receitas culinárias) tiveram alta de 51,2%.

Em entrevista ao jornal O Globo, Craig Huber – analista da Huber Research Partners, comentou que “O New York Times” por suas assinaturas digitais está, noite e dia, à frente de seus pares na indústria.

Mercado americano

Nos Estados Unidos, a receita do mercado de assinaturas (contando apenas com os clubes) já ultrapassa os US$ 10 bilhões. E, pelo visto, o formato tende a ser adotado em diversos outros mercados – vide o da comunicação que estava paradão e agora está dando um up.

E aqui no Brasil não vai ser muito diferente não. Até o varejo ~ que é super tradicional ~vem adotando modelos de assinatura para engajar e fidelizar o consumidor e, claro, gerar uma receita recorrente.

Vale investir nas assinaturas?

O comportamento do consumidor, o mercado e os resultados obtidos na maioria dos negócios por assinatura apontam para o “Sim, vale investir”. Mas, tenho duas coisas importantes para dizer:

1 . Nem sempre você precisa criar ideias mirabolantes para conseguir investir no modelo de assinaturas, já existem formatos de negócios que já são recorrentes, mas ainda não cobram como tal. Neste post a gente fala mais sobre isso.

2. Criar um modelo do zero é desafiador. É importante pensar em no nicho, produto e mercado em que vai atuar. Neste vídeo o Rodrigo Dantas (CEO da Vindi) dá dicas de como planejar um negócio de assinaturas.

Inclusive, o modelo de assinaturas é o formato em que as gigantes do mercado usam para escalar. E, cá para nós, grandes empresas não investem em mercados sem potencial de crescimento.

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