Nós temos assistido a diversos mercados se voltando para o modelo de vendas recorrente. Alguns, para aumentar a oferta de produtos/serviços. Outros, para competir com os novos player (que apesar de menores em operação, têm conquistado uma gama extensa de novos clientes).

A bola da vez está com a Cinemark Holdings Inc., que é hoje a terceira maior empresa da indústria cinematográfica nos Estados Unidos.

Movie Club

No início deste mês, a Cinemark anunciou o lançamento de um programa de assinaturas, intitulado Movie Club, que oferece ao clientes descontos e concessões.

Os clientes que aderirem à assinatura pagarão U$ 8,99 e terão crédito por um bilhete mensal, além de poder comprar ingressos adicionais pelo mesmo preço e garantir descontos de 20% na compra de produtos adicionais: pipoca, refrigerantes e etc.

Os ingresso não utilizados no mês continuam valendo para os meses consecutivos podendo ser usados quando o assinantes quiser. Não se sabe se esse modelo também será adotado aqui no Brasil.

Efeito Netflix

O lançamento de um modelo de assinaturas é o movimento da Cinemark para competir com outros modelos de entretenimento que vêm ganhando força nos últimos anos e indiretamente ‘contribuindo’ para a queda nas receitas da indústria cinematográfica, que só neste ano teve retração de 4%.

>> Como faturar no modelo Netflix

Esse é aquele bom e atual ‘Efeito Netflix’ que a gente vem comentando já há um tempo e que vem fazendo mercados inteiros repensar suas estratégias de oferecer produtos e serviços os novo consumidor.

Reação em cadeia.. ?

A própria indústria cinematográfica vinha resistindo às mudanças afirmando que um movimento desses (de oferecer ingressos a um preço mais baixo) refletiria na redução das receitas.

O que não pensaram é que essa redução viria de qualquer jeito, já que os consumidores substituem o cinema por outros formatos de entretenimento ou aderindo a outros programas de assinaturas que dão benefícios – como o que falarei daqui a pouco.

O caso é que a Cinemark ja entendeu que o modelo de venda recorrente propõe gerar uma receita previsível e atrair ainda mais clientes. E é provável que muito em breve as demais se rendam também, já que o mercado fica cada mais competitivo.

Além disso, o movimento também é uma resposta ao MoviePass – startup americana que oferece a entrada ilimitada em cinemas a um custo mensal de US$ 9,95.

A proposta da startup é simples como a de qualquer negócio que vem causando reações de mudança nos mais diversos setores de consumo: democratizar produtos e acesso a um custo menor do que o praticado no mercado. E é por isso que a indústria de salas de cinema também vem sendo impactada.

Expansão de negócio

De acordo com o presidente-executivo da Cinemark “o objetivo [do modelo recorrente] era realmente simples. Foi para aumentar o atendimento e remover todos os pontos de dor em torno dele. Isso nos ajuda, ajuda nossos parceiros de estúdio e o negócio em geral”.

A ideia do Movie Club é atingir não o público que já frequenta aos cinemas com certa recorrência, mas aqueles vão menos e tendem a enxergar o programa de benefícios que a Cinemark gerou.

Apesar de o preço não bater de frente aos oferecidos pela MoviePass, o programa já marca uma mudança representativa no mercado dessa indústria: outra gigante se rendendo ao modelo recorrente entendendo que ele que atrai e retém clientes, além de aumentar receita.

Mas, é importante reforçar que a ascensão do modelo vem ganhando e conquistando cada vez mais adeptos nos mais diversos segmentos porque atende aos comportamentos de compra do novo consumidor.

Fonte: Los Angeles Times