Empresas brasileiras morrem em dois anos: entenda por quê

Queda nas vendas como consequência da perda de clientes, redução de faturamento como consequência da queda nas vendas, endividamento como consequência da redução nos lucros, além de inadimplência, altas taxas de juros sobre o valor do dinheiro junto aos bancos somado aos custos de transação, do aluguel das máquinas e mais um monte de fatores contribuem com o insucesso das empresas brasileiras.

Mas, onde está o problema?

Eu poderia falar: no cenário econômico que não colabora com o empreendedor de nenhum segmento, nos altos impostos o governo cobra para tudo ou nas gestões que apresentam ”N” falhas. Mas, eu vou deixar para você responder no final deste post.

Vamos lá?!

A pesquisa “Sobrevivência das Empresas no Brasil”, realizada pelo Sebrae e a FGV, mediu a taxa de mortalidade das empresas brasileiras e chegou ao fato de que: um terço das novas empresas morrem em dois anos.

Mas, mais do que chegar a um resultado, o estudo analisou fatores que podem ter grande contribuição com a taxa de sobrevivência tão baixa. O estudo analisou pontos como:

  • Situação dos empresários ao abrir a empresa;
  • Tempo de planejamento do negócio;
  • Gestão;
  • Capacitação dos donos em gestão de negócio.

Os resultados foram:

Situação dos empreendedores antes da abertura

Das empresas ativas,

  • 21% dos empreendedores começaram o negócio desempregados.
  • Das empresas inativas, esse número sobe:
  • 30% dos empreendedores começaram o negócio desempregados.

Uma outra pesquisa do Sebrae com a Global Entrepreneurship Monitor (GEM) mostrou dados mais detalhados sobre empreendedores que criam uma empresa quando estão empregados e os que criam quando não estão.

Os resultados –  compilados quase que em paralelo ao estudo sobre a sobrevivência das empresas – apontou que nos últimos anos o índice de brasileiros que empreendiam vinha crescendo.

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Esses empreendedores foram subdivididos em: empreendedor por oportunidade (os que veem uma chance de criar uma empresa e “se jogam”) e o empreendedor por necessidade (os que montam um negócio porque precisam).

Entre 2014 e 2015, a taxa de empreendedor por oportunidade caiu de 70,6% para 56,5%. Enquanto que os empreendedores por necessidade cresceram de 29,1% para 43,5% no mesmo período. Vale acrescentar que nesse período o país já vinha sentindo os sintomas da recessão e as pessoas viam o desemprego bater à porta.

Existe correlação entre o curto tempo de sobrevivência das empresas e o período em que surgiram mais empreendedores por necessidade? É uma grande possibilidade. E os próximos resultados mostram por quê:

Planejamento do negócio

Esse tópico da pesquisa mostrou o tempo que os empreendedores entrevistados (das empresas ativas e inativas) levaram para planejar a criação das empresas. Veja:

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Nas empresas ativas,

  • O tempo médio de planejamento do projeto foi de 11 meses

Das empresas inativas

  • O tempo médio de planejamento do projeto foi de 8 meses

Experiência anterior no ramo do empreendimento

Avaliou o nível de conhecimento que os empreendedores tinham no mercado em que estavam abrindo uma empresa:

Nas empresas em atividade,

  • 71% tinham experiência anterior no ramo

Enquanto que nas empresas inativas,

  • Apenas 64% dos fundadores conheciam o mercado de atuação

Gestão da empresa

Pense na gestão de uma empresa como a engrenagem para que todo o resto funcione. Se essa parte é bem cuidada, fica mais fácil de cuidar das outras áreas e fazer com que tudo funcione e traga bons resultados.

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Contudo, talvez essa seja a área em que as empresas mais pecam, pois foi o fator analisado com mais profundidade pela pesquisa. Foram apontados tópicos em que as empresas mais precisam se ater. Vejam os resultados:

Aperfeiçoar sistematicamente seus produtos e serviços às necessidades dos clientes

  • Empresas ativas: 95%
  • Empresas inativas: 84%

Investir na capacitação de colaboradores e sócios:

  • Empresas ativas: 69%
  • Empresas inativas: 52%

Estar atualizado quanto às novas tecnologia do seu setor

  • Empresas ativas: 89%
  • Empresas inativas: 78%

Diferenciar produtos e serviços

  • Empresas ativas: 31%
  • Empresas inativas: 24%

Acompanhar rigorosamente a evolução das receitas e das despesas ao longo do tempo

  • Empresas ativas: 74%
  • Empresa inativas: 65%

O fator que apresentou a maior divergência foi o “acompanhamento rigoroso da evolução das receitas e despesas ao longo do tempo”. Mas, hoje,  já existem no mercado diversas plataformas de baixo custo que ajudam pequenas e médias empresas a fazer esse acompanhamento. Inclusive, as plataforma de gestão de assinaturas.

As empresas que sobreviveram são as que se atentaram mais à gestão da empresa, desde conhecer e se aprimorar sobre o mercado de atuação até implantar tecnologias para otimização das atividades e melhorar seu produto/serviço. Coisas que são importantes para os resultados positivos que vão levar um negócio para frente.

O estudo apontou que a diferença de percentuais entre as empresas inativas e ativas tem uma representação muito significativa. Ou seja, as empresas que morreram em dois anos deixaram de se atentar para coisas importantes e isso é uma das causas da mortalidade.

Empresas de recorrência

Na contramão dos modelos de negócio avaliados pela pesquisa, as empresas que saem do modelo de vendas pontuais e investe na venda recorrente vêm apresentando melhores resultados. Não existe, ainda, um índice que meça a taxa de mortalidade e sobrevivência dessas empresas.

Mas, o modelo de recorrência cresce 9X mais que os outros. E, se pensar no ciclo que falamos no início deste post: crescimento nas assinaturas é sinal de maior aquisição e retenção de clientes, redução de inadimplência, que juntas garantem maior faturamento, o que paga as dívidas e, logo, fazem as empresas sobreviverem.

Toda essa parte de gestão as empresas de recorrência resolvem com tecnologia – um dos tópicos de gestão avaliados pela pesquisa, lembra?

Usando tecnologias para resolver a parte de cobrança, assinatura e inadimplência, as empresas se certificam de estar fazendo uma ótima gestão e otimizando tempo que pode ser investido em:

  • Aperfeiçoar produtos e serviços para atender melhor os clientes;
  • Capacitar os colaboradores;
  • Entender mais e melhor o mercado de atuação;
  • Planejar melhor as ações para conquistar e reter cada vez mais clientes;
  • Planejar melhor os investimentos;
  • Acompanhar a evolução das receitas e das despesas ao longo do tempo.

Ter soluções de tecnologia que ajudam a gerir melhor as cobranças e inadimplências é o “segredo” das empresas de assinatura/recorrência para otimizar tempo e resolver pontos importantes que as empresas que morreram no período de dois anos não conseguiram.

Então, eu vou terminar este post com a mesma pergunta que comecei:

Se as empresas estão morrendo por problemas como entendimento de mercado, melhoria no produto, planejamento e gestão: onde está o problema? Comente este post e nos dê sua opinião. 😀

Jornalista apaixonada por mídias digitais e tudo que envolve o ambiente virtual. Interessada em marketing, negócios.

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